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Paula Pfeifer, do blog Crônicas da Surdez, fala sobre perda auditiva

A blogueira está lançando um livro de crônicas sobre a perda auditiva.

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Paula Pfeifer

De acordo com o Censo Demográfico realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões de brasileiros declaram ter deficiência auditiva (5,1%). Ela é a terceira deficiência mais comum no Brasil: as visuais e motoras ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugar.

É comum que pessoas com necessidades especiais acabem se isolando de alguma forma, já que, muitas vezes, os interlocutores não sabem como lidar com eles em diferentes situações. É importante saber que é dever da sociedade integrá-los da melhor forma possível!

A it-blogueira Paula Pfeifer, criadora do Sweetest Person, é deficiente auditiva e, aproveitando o sucesso do blog, resolveu lançar um projeto com uma proposta diferente: o blog Crônicas da Surdez.  Neste espaço, Paula aborda temas como a perda da audição, situações que ela enfrenta no dia a dia, e claro, também utiliza o espaço para dar apoio e mostrar exemplos de superação.

Confira:

tt: Quando e como você descobriu que tinha perda auditiva? 

O diagnóstico foi com 16 anos, mas desde criança eu já desconfiava disso.

tt: Quais foram as suas primeiras reações?

Não foi um choque quando o médico nos deu o diagnóstico na adolescência pois foi uma perda gradual e progressiva. Eu diria que quase imperceptível porque a gente não presta muita atenção nessas coisas, e como eu já era craque em leitura labial sem saber, não tive grandes complicações para aceitar o fato.

tt: Você acha que algumas atitudes suas agravaram o problema?

Quando criança tive muitas otites, mas a causa da minha surdez é desconhecida. De resto, sempre tomei cuidado com a saúde auditiva, até porque odiava ficar com dor de ouvido.

tt: Na adolescência você já não escutava totalmente. Como foi essa fase em sua vida?

Na adolescência minha deficiência auditiva já era moderadamente severa. Eu deveria usar aparelhos auditivos mas não o fazia. Não foi uma fase exatamente fácil porque eu ficava com um certo pavor de que as pessoas descobrissem esse meu ‘segredinho’ no colégio.

tt: Falando sobre paquera: como era o seu relacionamento com os meninos? Eles tinham algum tipo de receio em chegar até você?

Não, e até hoje muitos paqueras se surpreendem quando conto que tenho deficiência auditiva porque alguns sequer percebem. Era complicado na parte telefônica, porque os namoradinhos ligavam lá pra casa e, como eu não entendia direito o que me diziam no telefone, tinha pavor de falar. Aí pedia para alguém dizer que eu não estava em casa.

tt: Ainda hoje é difícil de se envolver com alguém? Como o namorado / parceiro deve se portar?

Não tem mistério. Os truques básicos são falar sempre de frente para mim, articular bem os lábios, não tentar bater papo no escuro e não querer que eu vá a baladas escuras e barulhentas. Ah, e adaptar a comunicação: em vez de ligação telefônica, SMS, whatsapp, etc.

tt: Você teve algum “estalo” e percebeu que não valia a pena “sofrer” por essa deficiência auditiva ou sempre levou numa boa?

Quando comecei usar aparelhos auditivos o dia inteiro e percebi o quanto eles me davam qualidade de vida e segurança. Aí vi que tinha chegado a hora de parar de frescura e cuidar de mim.

tt: Como foi o desenvolvimento da sua oralização diante do avanço da perda auditiva?

Quando criança eu ouvia, minha perda começou leve até chegar à perda profunda aos 31 anos. Adquiri a minha língua materna (português) como qualquer criança ouvinte. Nunca fiz fonoterapia quando criança/adolescente, aprendi a ler lábios sozinha (inclusive em inglês e espanhol).

tt: Quais são as dificuldades do dia a dia encontradas por pessoas que têm parte da audição perdida?

Não participar em pé de igualdade das conversas, na minha opinião, é o mais chatinho. Num grupo de várias pessoas fica difícil tentar ouvir e ler os lábios de vários ao mesmo tempo.

tt: E quais foram as situações mais “estranhas” que você já passou por ter deficiência auditiva?

Às vezes conhecemos pessoas que acham que deficiência auditiva é deficiência de caráter e invalida todas as outras qualidades que você tem. Em viagens internacionais sempre rola algum ‘causo’ interessante.

tt: Você é uma blogueira superpopular entre os mais fashionistas. Isso te ajudou a popularizar o assunto?

Isso me deu coragem de criar o blog Crônicas da Surdez, pois achei que era hora de usar o alcance do Sweetest Person para uma causa nobre e que ajudaria muita gente.

Crônicas da Surdez

Foto: Divulgação

 tt: Como surgiu a ideia do Crônicas da Surdez? Quais temas você aborda por lá?

O Crônicas foi criado em maio de 2010. Lá eu tento desmistificar a surdez, pois quando as pessoas leem essa palavra vão logo pensando bobagens como: todo surdo é mudo, todo surdo usa língua de sinais, todo surdo precisa de interprete, todo surdo estuda em escola especial. Os surdos oralizados existem e têm necessidades muito diferentes dos surdos sinalizados.

tt: E a oportunidade de transformar o blog em livro? Como surgiu?

Tive a ideia, falei com uma editora, e, um ano depois, o livro foi lançado.

tt: Quais são os seus planos?

Fazer lançamentos do livro em várias cidades do país para poder conhecer os leitores do Crônicas que estão espalhados por esse Brasil.

tt: Qual é o seu recado para as pessoas que sofrem ou se sentem entristecidas com essa deficiência?

Assumam-se! É impossível disfarçar o indisfarçável. Façam um esforço para se adaptar aos seus aparelhos auditivos, informem-se sobre surdez em vários níveis (de legislação à tudo o que for possível), não fique em casa isolado sofrendo, tornem-se disseminadores de informação, ajudem a desmistificar a surdez, lutem por acessibilidade. A vida é curta e o que ela quer de nós é coragem.

tt: E sobre acessibilidade? O que você acha que falta?

Acessibilidade para quem não escuta: legendas na TV aberta e paga em todos os programas, atendimento por chat/SMS em bancos, cartões de crédito, bombeiros, polícia, legendas nos cursinhos com videoaulas e muitos outros.

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Manu, por exemplo, conta que sua mãe tem o melhor gosto para arte e considera que foi um presente ter nascido dela.

Confira o teaser da campanha:

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Primeiro, ela explicou que apenas duas de suas músicas tem essa palavra:

Depois, ela contou que quase todos os dias alguma notícia falsa sobre ela viraliza e raramente as pessoas que não a acompanham conseguem descobrir que a informação é errada.

Por fim, ela disse que se dedica muito em todas as suas letras e fica afetada com o que lê sobre ela.

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Foi muito triste, ainda mais vindo de uma pessoa que deveria estar ali protegendo os brasileiros, preservando e conservando uma luta que vem de anos. E, talvez, fazendo uma reparação que é histórica, porque o racismo estrutural é histórico. Senti que a gente andou uns anos para trás, porque olha quantas pessoas se sentiram fortes depois da decisão de falar que aquilo é liberdade de expressão. Ela [Val Marchiori] comemorou em vídeos nos stories, tomou champanhe. Outras pessoas se sentem fortes para comparar nossos cabelos com Bombril“, desabafou Lud.

A cantora também relembrou o início de sua carreira e falou o quanto o racismo a influenciou: “Eu era a MC Beyoncé lá atrás. Tem alguma propaganda com a MC Beyoncé? Não tem! Porque eu não era padrão. Não era aceita. Nenhuma marca queria ser representada pela MC Beyoncé. Por isso, tive que me mutilar, afinar meu nariz, porque queria ser aceita“.

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