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Cabelo, resistência e os gatilhos por trás da fala de Rodolffo: “A ideia de ter o cabelo natural me apavorava”

Desde o Jogo da Discórdia desta segunda-feira (5), um dos assuntos mais comentados nas redes sociais passou a ser o cabelo crespo. Isso porque foi durante essa dinâmica do BBB21 que João Luiz expôs como se sentiu mal com uma “brincadeira” feita por Rodolffo.

Durante o fim de semana, o sertanejo recebeu a roupa do monstro, castigo pelo qual teria que passar no reality até domingo. Porém, ao ver a peruca que foi dada, ele a comparou com o cabelo de João, que por sua vez ficou sem reação e não conseguiu demonstrar na hora o quanto a fala o havia magoado.

Posteriormente, já na segunda-feira, o brother abriu o jogo ao vivo e caiu em lágrimas quando Rodolffo reafirmou que sim, o cabelo era parecido com a peruca. Já na terça-feira (7), antes de Tiago Leifert anunciar a eliminação do sertanejo, o apresentador fez um discurso incrível sobre falas racistas — intencionais ou não — e destacou que o cabelo de João e Camilla são símbolos de resistência.

Trazendo toda essa discussão para o mundo fora do reality, conversamos com Tami Dagnes, de 22 anos. Ela, que já foi estágiaria da Manu Gavassi e hoje é jornalista na área da beleza, contou que desde a terceira série da escola tem lembranças nítidas das crianças ridicularizando seu cabelo e fazendo comparações dele com palha de aço e coisas do tipo.

Na época, eu não entendia, mas hoje percebo o quanto isso feriu minha autoestima por muitos anos. Antes disso, minha avó fazia várias tranças no meu cabelo, e sobre isso eu lembro de receber elogios das professoras, mas ainda assim sofria muito bullying por parte das crianças, então, decidi parar de usá-las na esperança de que não comentassem mais“, relembra Tami.

o alisamento

Embora hoje em dia muito se fale sobre a transição capilar, ou seja, o processo de parar de alisar o cabelo e deixá-lo natural, antigamente a lógica era o contrário. Mesmo na infância, muitas meninas optavam pela progressiva e esse foi o caso de Tami.

Ela conta que começou a fazer alisamento ainda na quarta série, por pressão estética.

O ano era 2010 e a progressiva estava se tornando um dos procedimentos mais usados na minha cidade e, mesmo sendo agressivo para o couro cabeludo, parecia a única alternativa para mim. Quando você cresce em um lugar onde só o cabelo liso é aceito, mostrado e exaltado, fica difícil não ceder a chapinha e alisamentos, principalmente sendo muito nova“.

E esse foi um hábito que continuou presente até o começo da faculdade, em 2017. Tami conta que acordava às 4h da manhã para fazer chapinha e a levava para a universidade, onde alisava o cabelo novamente antes de entrar na aula.

A ideia de ter meu cabelo natural me apavorava. Um ano depois, comecei a aprender mais sobre negritude, militância e isso me despertou coragem para voltar aos cachos. Foi então que passei a usar tranças, e foi incrível como elas trouxeram minha autoestima de volta. Foram 11 meses de transição capilar e, quando tirei as tranças, o medo voltou, mas com menos intensidade. Conforme eu cuidava do meu cabelo, eu ia o conhecendo mais“.

cabelo e autoestima

Assim como Tiago Leifert disse em seu discurso, na terça-feira (6), Tami reforça: “O cabelo crespo e cacheado carrega muitas coisas com ele. História, força, aprendizado. Definitivamente, não é só um cabelo, principalmente em uma pessoa negra“.

A gente é ensinado a se odiar desde criança. Começa pelo cabelo, tom de pele, nariz, boca e por aí vai. Então, foi uma batalha gigantesca que eu travei, mas ao mesmo tempo me fez olhar pra mim com mais amor. Eu diria que foi um reencontrou com algo que, um dia eu tanto amei: meus cachinhos, estejam eles definidos ou não. Hoje, não só o cabelo, mas a maquiagem também se tornou a principal forma de eu inspirar outras meninas a resgatarem seu amor pela negritude“, conta ela.

comentários como os de Rodolffo são sérios

Apesar de dizer que não teve a intenção, Rodolffo magoou muita gente com seu comentário sobre o cabelo de João. Tami, por exemplo, explica que esse tipo de fala desperta gatilhos.

Vendo a reação do João no jogo da discórdia, ao falar sobre como aquilo tinha o machucado, me senti representada e me emocionei. Quando denunciamos ou apontamos uma atitude racista da forma que ele fez, é uma mistura de alívio por colocar pra fora e medo de não escutarem, além da frustração, porque, na maioria das vezes, nossa dor é dita como ‘mimimi’ e não é levada a sério. Por isso, eu bato tanto na tecla de não reproduzir essas falas racistas, ensinar as crianças e pessoas ao seu redor o quanto racismo é deplorável. Estamos em 2021, não existem mais desculpas para continuar a reproduzir racismo“, conclui ela.

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