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Comportamento

Como dizer para seu crush que você gosta dele – e o que fazer se ele não sentir o mesmo

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Como dizer para o crush que você gosta dele

Quem aí nunca ficou imaginando os milhares de cenários possíveis para contar ao crush que você gosta dele? Já pensou em quais seriam as palavras certas, o momento certo…. São muitos os questionamentos em uma situação como essa!

Mas pode ficar tranquila, miga, todo mundo já ficou apreensiva com o assunto. E é por isso que vamos te ajudar a trazer o crush das suas fantasias para a realidade.

Começaremos com alguns passos para te ajudar a dar o sinal ao boy/girl, para você finalmente conseguir dizer que tem algo romântico rolando por aí!

Você realmente gosta dessa pessoa? 

Comece com este questionamento. Ele é muito importante para saber se você deve ou não seguir adiante. Às vezes ficamos demais no mundo da fantasia e isso pode ter consequências ruins nas nossas ações. Mas como ter certeza de que você realmente gosta do @, e não só da ideia dessa pessoa?

Fizemos um checklist para você analisar seus sentimentos:

  • Você sente algo que vai além dos atributos físicos do seu crush?
  • Elx também te faz perguntas e se mostra interessadx no que você tem a dizer?
  • Você se sente confortável com a presença delx?
  • Você curte o jeito delx de pensar e como elx compartilha suas ideias?

Se a resposta para todas essas perguntas for “sim”, chama no contatinho! Se seus sentimentos pelo crush não forem passageiros e você sentir que tem uma troca rolando por aí, bora lá!

Vale a pena lembrar de uma coisa muito importante antes de continuarmos: a gente não tá dando aula de como fazer alguém gostar de você, ok? Se valorize, saia do conto de fadas e escolha se abrir para alguém que realmente importe. Reconheça a pessoa incrível que você é – porque você é!

E nós sabemos que tudo isso pode parecer mais fácil na teoria do que a realidade. Por isso, agora vamos te ajudar na preparação para a hora da ação!

Chegou a hora do romance, bb

Sabemos que você já pode estar ansiosa ou nervosa com todos esses sentimentos – e nós super entendemos. Por esse motivo, indicamos que você aposte um pouco no romance antes da declaração em si.

E comece pequeno! Um dos melhores jeitos de fazer isso é ~ literalmente ~ mostrando interesse. Dê atenção ao que seu crush fala e veja se essa é uma atitude recíproca. Esse ato de “ouvir ativamente” vai tornando todo o processo mais natural – e quanto mais naturalidade, melhor!

Coloca pra fora, miga! 

Só demonstrar interesse pode não funcionar como um alerta claro de que você tem sentimentos pelo seu crush. Mas como colocar em palavras todos esses sentimentos?

Se abrir para alguém sempre será algo delicado. Sempre haverá o risco de uma amizade ser abalada ou não. E você, está disposta a tomar esse risco? Se sim, vamos te sugerir uma forma dessa declaração acontecer de uma maneira mais tranquila.

Ao invés de continuar prolongando essa ansiedade, escolha um momento tranquilo, não tenha receio de falar sobre sua vulnerabilidade e diga a elx que você sente uma conexão que vai além da amizade. Pergunte ao @ se elx sente o mesmo e não tenha vergonha!

Caso você seja mais tímida e não sabe o que falar, aqui está um textinho de como anunciar todos esses sentimentos:

“Posso estar nervosa agora, mas tenho que tirar isso do meu peito: queria que você soubesse que eu realmente gosto de você e que você é incrível. Acho que é muito bom passar o tempo com você e sinto uma conexão que não tenho apenas com ‘amigos’. E fico pensando: isso também é algo que você está sentindo?”. 

Lidando com a resposta: e se o sentimento não for o mesmo? 

Pronto, miga! Se você chegou nesta parte do processo, lembre-se de valorizar toda a coragem que você teve pra isso acontecer. Sabemos que talvez não tenha sido tão fácil, mas agora passou, independente da resposta.

E, falando da resposta… como lidar caso seus sentimentos não sejam recíprocos? – clica aqui!?

Calma, sem desespero. Não é o fim do mundo! Sabemos que dói – e muito – passar por isso. Você pode querer fugir, mas a melhor coisa a fazer neste momento é respeitar a decisão do outro.

Ao invés de discutir ou explodir, diga para si mesma algo tranquilizador que ainda honre sua decepção: “Isso é uma droga, mas vai ficar tudo bem, eu prometo”. Já com o crush, também seja sincera com essas emoções.

Permita-se chorar, se sentir mal na segurança do seu próprio quarto ou conversando com as amigas. E mais importante de tudo: perceba e coloque na sua cabeça que você não pode controlar a maturidade de ninguém, mas pode decidir quais serão suas atitudes.

Talvez a amizade que você tinha com essa pessoa pode acabar, ou eventualmente vocês poderão retomar onde parou. É a sua decisão!

A fila anda e o mundo ta aí, cheio de possibilidades incríveis para você se jogar. Ps.: não tenha medo de sentir e aproveitar cada uma delas!

<3

Comportamento

“Anonymous” divulga lista de envolvidos com tráfico de crianças – Naomi Campbell e Mick Jagger estão na lista; entenda!

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Reprodução / Twitter

Durante a madrugada deste sábado (30) vídeos misteriosos e notícias sobre uma suposta lista com nomes célebres começaram a circular pelas redes sociais, e muita gente não entendeu do que se tratava. O final de semana foi repleto de emoções devido aos protestos contra e a favor o governo brasileiro, em paralelo às manifestações intituladas “Black Lives Matter”, questionando a morte e ação policial que se deu contra George Floyd.

Na verdade, todos esses acontecimentos estão interligados, demonstrando uma onda de descontentamento da população em relação à elite e gestão do poder, em que alguns são privilegiados e não pagam por seus erros, enquanto outras pessoas menos beneficiadas são vítimas de um genocídio preconceituoso que ainda assombra o mundo. Para entender melhor o tema, x leitor(a) precisa compreender o caso que envolveu Jeffrey Epstein, o financista americano que possui uma história de vida repleta de teorias da conspiração.

Vamos tentar resumir: o nova-iorquino possuía uma habilidade de manipulação tão forte que conseguiu se tornar referência no setor bancário da Wall Street sem a formação acadêmica necessária para ocupar o cargo e enriqueceu rapidamente. Em seguida, formou uma rede de conexões famosas, criando amizades como Donald Trump e Naomi Campbell.

Epstein também foi responsável por conceber uma grande rede de prostituição infantil em Palm Beach, na Flórida, criada para benefício próprio. Com o tempo, o nova-iorquino incluiu amizades bilionárias e famosas dentro da lista de pedófilos que abusavam das garotas de sua rede, e de acordo com algumas das vítimas, todos eles provavelmente eram filmados para que provas fossem garantidas contra os mesmos. Assim, Epstein também teria garantido “carta-branca” para agir porque teria meios de chantagear pessoas influentes.

Desta forma, mesmo com relatos chocantes de diversas vítimas do abuso sexual e psicológico violadas por Epstein, o financista não foi devidamente punido por anos. Até que com o surgimento do movimento de exposição de relatos de mulheres nas redes sociais em 2017, o #MeToo, uma onda de indignação em relação à impunidade do nova-iorquino tomou conta, e as autoridades o declararam preso, assim como um dos colegas que abusou de mulheres dentro e fora do sistema de prostituição infantil de Epstein, o produtor de cinema Harvey Weinstein.

O financista não chegou a cumprir a pena pois teria se matado na prisão. Alguns profissionais afirmam que não há sinais de suicídio, mas sim de assassinato. Não há provas documentais ou relatos que confirmem o suicídio, dando abertura para teorias da conspiração sobre quem teria encomendado a morte de Epstein.

Um dos filhos da Rainha Elizabeth II, o Príncipe Andrew, por exemplo, também estava entre as denúncias das garotas que sofreram abuso, entretanto, até então não foi julgado como réu. Além dele, outros famosos estão entre os nomes de amizades próximas a Epstein, mesmo que não tenham sido denunciados como “clientes” do financista. Trump e Bill Clinton são alguns deles, assim como Naomi Campbell e o ex namorado brasileiro, Pedro Diniz.

Neste sábado, um grupo anônimo de hackers voltou à ativa. Trata-se do “Anonymous”, o qual atua invadindo sistemas e publicando conteúdo que incita em protestos contra o governo e ação policial. O grupo atuava até que fez uma pausa, retornando à atividade no dia 30 depois de seis anos.

Os “hackertivistas” enviaram um vídeo para o governo americano com voz modificada e máscara inspirada na obra de Alan Moore que posteriormente deu origem a um filme com o mesmo nome, o V de Vingança. No vídeo, o grupo pede ações contra os policiais que mataram George Floyd, citando as manifestações e abuso de poder, o qual  beneficiaria grupos da “elite”.

Uma hora depois do vídeo, o grupo teria hackeado o site da polícia do estado de George Floyd, Minneapolis, bem como respectivos rádios. O grupo afirmou em sua conta do Twitter que o responsável pela morte de Epstein teria sido Donald Trump e em seguida revelou uma lista de registros que supostamente estaria nos arquivos da polícia americana. A lista seria a divulgação do famoso “livro preto de Epstein”, com conexões traçadas pelos policiais na investigação do caso, trazendo nomes que poderiam estar ligados ao sistema de tráfico e abuso de prostituição infantil do financista.

Entre os nomes da lista estão membros da família Trump, Clinton, bem como a modelo Naomi Campbell, seu ex-namorado e brasileiro Pedro Diniz, Mick Jagger, Michael Jackson e seu advogado, Charles Spence, Bill Gates e vários outros nomes. Confira a lista completa clicando aqui.

“O engraçado de Naomi, é que ela não só estava ligada ao círculo interno de Epstein, mas também ao do traficante de crianças Jean Luc Brunel e o estuprador de crianças John Casablancas (outro parceiro de Trump e agente de modelos da jovem Ivanka Trump)”, escreveu o perfil.

Brasileiros pediram para que o perfil expusesse o atual presidente do país, Jair Bolsornaro, e o perfil respondeu: “Algo que as pessoas devem olhar no Brasil é investigar se Bolsonaro tem algum vínculo com o traficante e estuprador de crianças John Casablancas, um associado próximo de Trump que atuou como proxy para os negócios de Trump no Brasil sob algum cargo obscuro e indefinido”.

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Durante programa no Multishow, Anitta ri de si mesma e dá pisão em Leo Dias: “O deboche never ends”

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É afronte que vocês querem? No último episódio do Anitta Dentro da Casinha, no Multishow, a cantora não perdeu tempo e tratou logo de debochar (com gosto) da cara de Leo Dias, que divulgou áudios comprometedores enviados a ele, no passado, por Anitta.

Logo no início do programa, Mauricio Meirelles e Daniel Zuckermann brincaram com a cantora e avisaram: “A gente vai chamar o Leo, Anitta”, insinuando que seria o jornalista envolvido nas polêmicas. Porém, apesar da cara de susto da funkeira, o momento não passou de uma grande zoeira.

O assunto dos áudios vazados foi tema principal da noite, retornando em vários momentos. Como já é de costume, Anitta ligou para vários amigos famosos e desabafou sobre o caso. Entre eles estavam David Guetta e Danna Paolla. “Ela não deve estar entendendo nada”, disse a cantora sobre o papo com a intérprete de Lucrecia, em Elite.

Pouco depois, Anitta não deixou as provocações de lado e reproduziu, com muita ironia, comentários de haters enviados a ela, nos quais diminuem seu talento e profissionalismo, chamando-a de vulgar. “Essa menina só sabe fazer playback, gente. Horrível! Tem um elevador na casa dela? Péssimo, está muito escuro, não enxergo nada. Está horrível! Colocou a bunda de fora, né, se não, não ganha views. Tem que apelar, já que não tem voz”, leu a cantora. Que barra!

Em determinado momento do programa, Anitta apareceu propositalmente vestida com uma lingerie preta rendada, e com muita ironia, avisou: “Inclusive, o figurino do programa de hoje tem tudo a ver com isso. É o terceiro programa, está cansativo, precisa dar um up na audiência. A gente não sabia se eu ia estar cancelada ou não. As coisas da minha carreira é consigo como mesmo? Mostrando o corpo, é com o corpo que eu consigo, né? É bom então que audiência do público masculino eu vou ter, o feminino deve estar me cancelando nesse momento, mas o masculino adora essas polêmicas, baixaria, votar em Bolsonaro… tô aqui então, peladinha, vamos lá!”. Eita! Como já diz o ditado: para bom entendedor, meia palavra basta.

Soltou o verbo – e com razão, né meninas? Ao que parece, os ataques de Leo Dias saíram pela culatra. Apesar dos insultos, grande parte do público de Anitta se manteve fiel à cantora, e outra parte que não a apoiava, passou a apoiar, após tamanha exposição.

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Relacionamento tóxico ou abusivo: como reconhecer?

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Pixabay

Bárbara Correa conheceu um cara bem sensível aos 17 anos. Quando recorda do começo do relacionamento, percebe que algumas coisas já lhe davam sinais do que ainda estava por vir. “Minha ex é louca” foi uma das frases que mais escutou durante o início do envolvimento, assim como as conversas emotivas que a colocavam em um pedestal durante um desentendimento. Com problemas familiares e questões que precisavam ser resolvidas na terapia, o parceiro dizia que sua cura era a presença de Bárbara em sua vida. E ela acreditou.

Com o tempo, o excesso de paixão transformou os dois em um só, e Bárbara começou a perceber que não podia quebrar isso. Sair sem ele não era uma opção, estar com homens também não, incluindo seu amigo homossexual de longa data. A garota começou a perceber que para continuar com ele precisava se anular e deixar de comparecer a eventos como festas na faculdade. “Ele dizia que eu fazia o que queria, não era meu pai. Mas, ele deixava bem claro que não gostava da minha melhor amiga. Também dizia que eu podia ir para onde quisesse, mas se eu decidisse ir para a festa sem ele junto, iria criar motivo para brigarmos”.

Bárbara não podia usar as roupas que queria, e sempre que brigavam, ela logo dava um jeito de fazer as pazes porque o parceiro começava a chorar, fazendo com que ela se sentisse culpada pela “situação que tinha criado”. Para evitar esse cenário, ela passou a deixar de fazer o que queria, mudou seus gostos e se afastou de seus amigos. Assim, não criaria “motivos” para discussões.

Mais um tempo se passou e os choros começaram a perder lugar para um comportamento mais agressivo, e com ele, o término definitivo. Em seguida, a fase mais difícil para Bárbara: aprender a viver novamente se colocando como prioridade. Depressão, ansiedade e transtornos alimentares tomaram conta do processo, causados não só pelo corte da dependência emocional que tinha com o parceiro, mas também a culpa que começou a sentir por ter permanecido dois anos em uma relação abusiva.

A todateen conversou com outras mulheres que se identificam com Bárbara, mas que preferem deixar seus nomes em anônimos. A. tem 41 anos e passou por quatro relacionamentos tóxicos, nos quais incluíam não só agressões físicas como também psicológicas. A advogada foi mãe aos 16 e teve que ouvir diversos tipos de comentário ofensivos dos parceiros em relação ao seu corpo, como também piadas que a rebaixavam e tentavam a desencorajar de continuar os estudos ou busca por emprego.

Mesmo estando em contato com a Lei Maria da Penha – que pune a violência doméstica – a advogada não encontrava forças para sair do primeiro relacionamento que lhe dava hematomas difíceis de serem escondidos e explicados. Com o fim desta relação, ela acabou se envolvendo com um outro parceiro que não lhe agredia fisicamente, mas lhe comparava com outras mulheres: “Ele dizia que mesmo que eu me arrumasse, jamais ficaria igual uma amiga que eu tinha, já que estava com 28 e ela 25”.

Depois desse, foram mais dois namorados que tentavam a controlar a qualquer custo. A. passou por uma depressão grave, encontrando no filho e nos cachorros adotados força para continuar vivendo. Ela não desistiu dos estudos, e hoje acredita ter se livrado dos ciclos custosos dos relacionamentos abusivos. Não desistiu do amor, reencontrou um amigo de infância e atualmente se encontra em um novo relacionamento. Entretanto, toda vez que posta uma foto no Facebook e um homem reage, seu primeiro ex a liga cobrando explicações.

V. tem uma história diferente, conheceu seu ex quando ainda estava no ensino médio, e desde o começo ele reforçava que não queria nada com ela, era “desapegado”, sabe? Mas com o tempo, o príncipe inabalável se mostrou vulnerável, e quando um término ameaçava acontecer, a asma e depressão do garoto vinham à tona.

Bem humorado, ele gostava de fazer piadas, só que elas sempre colocavam a parceira para baixo, principalmente em meio aos “incentivos” para que ela fosse à academia, afinal, ele não ficaria com alguém acima do peso considerado padrão. Para provocar, de vez em quando ele a chamava pelo nome da ex, fazendo com que ela lembrasse quem estava no controle.

V. não podia demonstrar qualquer sinal de independência, sonhos que não o incluíam eram como provocar uma briga, aliás, o medo era um sentimento constante para ela na relação. “Se eu estava cansada e esquecia de dar bom dia, ‘boom’. Já faz cinco meses que a gente terminou e minha autoestima ainda está no chão”.

“Tóxico” e “abusivo” são termos que vêm sendo cada vez mais mencionados quando o papo é sobre relacionamentos, e com eles, a discussão sobre suas definições. Afinal, o que é “normal” em uma relação? Como diferenciar um problema que pode ser resolvido de algo que se torna prejudicial à saúde mental?


O grau de seriedade entre as opções mencionadas traz a sensação de que a resposta seja óbvia. Mas acredite, não é. Para compreender melhor o que seria um relacionamento abusivo, conversamos com a psicóloga Bia Sant’Anna, especialista em neuropsicologia e em terapia cognitivo-comportamental, e o psicólogo Alexandre Bez, especializado na área de relacionamentos.

O que faz de uma relação tóxica?

Doutora Bia Sant’Anna: Normalmente um relacionamento é considerado tóxico quando existe uma relação de poder sobre o outro. É comum associarmos relacionamentos tóxicos aos amorosos, mas também podem acontecer entre amigos e familiares.

O que mais se observa é uma tentativa de controle em relação aos comportamentos, valores e decisões de uma outra pessoa. Por esse motivo, uma relação tóxica poderá facilmente se tornar uma relação abusiva, causando diversos sofrimentos, mal estar e sérias consequências psicológicas.

Até onde uma relação pode ser considerada conflituosa e quando ela passa a ser tóxica?

Doutor Alexandre Bez: Uma relação conflituosa pode ser resolvida desde que haja um empenho dos envolvidos para que os conflitos sejam identificados, tratados e não se repitam. Lembrando que os conflitos fazem parte de qualquer relação, a questão é como eles serão tratados.

As relações conflituosas podem gerar uma “situação tóxica temporária”, mas não necessariamente estabelecer uma relação tóxica efetiva, basta apenas sanar as causas, após as mesmas serem isoladas. As relações tóxicas são classificadas pela “extensa sensação de tortura – mental, ou psicológica”.

Quais são as principais características de uma relação tóxica?

Doutor Alexandre Bez: Todas as relações tóxicas incluem agressão, geralmente em relação à figura feminina, seja verbal, física, psicológica ou sexual. Os principais indícios são:

– Apontamentos: o parceiro aponta “características” na mulher, as quais ele não aprecie ou não valorize.

– Críticas: tudo aquilo que ela faz, ele condena. Independentemente do que seja, há mesmo o prazer da colocação.

– Comparação: No intuito em ridicularizá-la, ele irá compará-la com alguma mulher que ele julgue inferior.

– Forçar a admitir: Ele irá induzi-la (de maneira explícita ou não) para que admita que não há tanta habilidade ou competência assim.

– Tom de voz : Indispensável para qualquer agressor clássico! Visa através desse, a intimidação.

– Humilhação: Coloca a mulher para baixo reduzindo a sua autoestima.

– Verbalização mais rígida: se dá de maneira crescente, sendo o primeiro estágio mesmo da violência contra a mulher.

– Rispidez no contato físico: Pode ser acompanhado ou não de contato, que vai desde puxar os cabelos, segurar o braço, empurrar o corpo da mulher, desferir tapas, ou ainda socos com prejuízos nítidos de hematomas! Este é o segundo estágio da violência contra a mulher!

– Contato Sexual Agressivo: O último estágio da violência contra a mulher. Esse é o mais sério porque o sexo nunca é mesmo consentido e ele o usa para aumentar a sua força e poder sobre a mulher em etapas mais severas, podendo ser acompanhado de um assassinato após a atividade sexual.

Dá para administrar a relação (tóxica) sem deixar de acabar com o namoro? Quando é melhor romper?

Doutor Alexandre Bez: Não! Não há como associar uma relação saudável a um convívio tóxico. A hora de acabar é quando se percebe que o conflito é muito mais sério, deixando de ser uma fase de divergência.

A partir do momento que o primeiro estágio de verbalização mais acirrada se revela presente, já é hora do rompimento ser mesmo efetivado! Pois não haverão mudanças de caráter e a mulher poderá ser vitimizada, em um prazo muito curto de tempo, pelo segundo estágio (violência física) ou terceiro (estupro doméstico).

Se a leitora é a pessoa responsável por tornar a relação tóxica, o que ela pode fazer para construir uma relação saudável?

Doutora Bia Sant’Anna: Pessoas tóxicas normalmente são mais autocentradas e costumam focar-se apenas nos próprios interesses. É importante observar se existe reciprocidade na relação ou foco excessivo na intensificação das emoções negativas (reclamações, críticas e cobranças).

Abrir o diálogo na relação é um bom começo, ouvir e entender como o outro se sente e o impacto que suas ações tem na vida da pessoa. Se não conseguir ter controle sobre suas atitudes é importante procurar uma ajudar especializada para entender qual é a raiz, o que causa essa necessidade de controle.

O que é uma relação saudável, afinal de contas?

Doutora Bia Sant’Anna: Uma relação saudável é aquela que te faz crescer, te faz aprender e que traz à tona o seu melhor. Aquela em que existe respeito e carinho mútuos. Que você pode ser você mesmo, sem censuras ou reprovações, e que é pautada no respeito mútuo, aceitando as diferenças.

Qual tipo de terapia buscar quando se é a vítima?

Doutor Alexandre Bez: A psicoterapia sempre é indicada, mas a faça com profissionais da saúde especializados (psicólogos, psicanalistas, psiquiatras). O psicólogo irá estudar os comportamentos, podendo também atuar em conjunto com o psiquiatra. O psicanalista irá averiguar as causas das ações no inconsciente, acompanhado ou não de tratamento com medicamentos.

Minha amiga está em uma relação tóxica. Como posso falar com ela sobre isso para lhe ajudar?

Doutora Bia Sant’Anna: Muitas vezes é difícil a pessoa perceber que está dentro de um relacionamento tóxico, para ajudar alguém que está passando por isso, o primeiro passo é se mostrar disponível para escutar sem julgamento e buscar uma rede de apoio para auxiliar para se libertar dessa relação que é prejudicial.


E se você ainda acha que os relacionamentos tóxicos ou abusivos estão muito distantes da sua realidade, selecionamos alguns trechos da entrevista com as meninas anônimas. Pedimos para que os especialistas explicassem qual o problema presente em cada uma delas. Algumas demonstram uma agressividade mais nítida, outras são comuns em relacionamentos.

“Ele começou a me diminuir pelos meus gostos. Minha participação nos esportes era uma desculpa para usar shorts, e meu trabalho como representante era uma tentativa de chamar a atenção, segundo ele”- H. R.

Doutora Bia Sant’Anna: Se você era assim no início do relacionamento, foi por esta pessoa que ele se apaixonou. Querer mudar o que nos faz sermos quem somos é um exemplo de tentativa de controle e cerceamento. Devemos mudar porque a forma atual deixou de fazer sentido para nós mesmo e não por uma razão externa.

“Ele tinha todas as minhas senhas, e se eu pedisse por privacidade, falava que eu então deveria estar escondendo algo” – H. R.

Doutora Bia Sant’Anna: Todos nós temos o direito à nossa privacidade. E, mesmo em uma relação de amor e de confiança, nem tudo é compartilhado. Isso não tem nada a ver com esconder algo. Exigir senhas muito provavelmente é uma forma de controle excessivo.

“Quis cortar o cabelo, e ele disse que não combinaria comigo” – B. M.

Doutor Alexandre Bez: A conduta invasiva, nunca é saudável. Uma democrática conversa é sempre uma boa solução.

“Eu não devia dar minha opinião sobre certas coisas, porque segundo ele, era burra” – B. M.

Doutora Bia Sant’Anna: Este é um comportamento de crítica e desmoralização. Com o passar do tempo, a pessoa passa a acreditar realmente que ela é burra. Inconscientemente, uma mensagem muito forte vai sendo transmitida: “você é burra, não vai conseguir ninguém além de mim”.

“Ele usava termos muito fortes na hora de me xingar em uma discussão” – G. A.

Doutora Bia Sant’Anna: Esse é um dos limites que não se deve deixar passar. Algumas coisas não devem ser admitidas e ponto. É a escalada da violência. Por exemplo: xingamentos foram usados e perdoados. Então numa próxima vez, não será visto como algo tão grave assim.

“Eu não podia sair sem ele, caso contrário, ele agia de maneira estranha ou me maltratava sem filtro” – A. R.

Doutora Bia Sant’Anna: O que muitas vezes ocorre é uma escalada do comportamento agressivo. Muitas vezes ele pode começar com uma resposta atravessada, uma maneira estranha de reagir. E aos poucos, a intensidade dos comportamentos vai aumentando. Por isso é essencial colocar um limite e não permitir que isso ocorra. Esta imposição de limite não precisa ser de forma agressiva, pode e deve ser sob a forma do diálogo. Mas precisa existir.

“Ele dizia que eu fazia o que queria, não era meu pai. Mas, ele deixava bem claro que não gostava da minha melhor amiga. Também dizia que eu podia ir para onde quisesse, mas se eu decidisse ir para a festa sem ele junto, iria criar motivo para brigarmos” – Bárbara

Doutor Alexandre Bez: Também ação relacionada ao controle, mas numa esfera mais profunda podendo também ter um prejuízo maior à mulher! Quando o cara gosta não é agressivo e nem é um ciumento patológico, não há controle, mas sim uma leve preocupação em perder a amada.

“Chegou em um ponto que eu não sentia que podia ter amigos homens ou sair sem ele, mesmo que com minhas amigas” – Bárbara 

Doutor Alexandre Bez: Restrição total dos diretos da mulher em ir e vir. Indica controle e manifestações de poder absoluto.

“Ao longo do relacionamento, me distanciei das minhas amigas. Chegou em um momento em que eu só tinha a companhia dele e das amizades dele, as coisas aconteciam e eu não tinha coragem de contar para minha família. Então sabendo que estava sozinha, ele ameaçava de me deixar o tempo todo” – Bárbara

Doutora Bia Sant’Anna: Isso é exatamente o que costuma acontecer. A pessoa vai se distanciando das coisas e pessoas que gosta, até o ponto em que o parceiro e a vida dele passam a ser seu único foco. Com isso a pessoa fica extremamente enfraquecida e com muita dificuldade de romper o ciclo. Além de muitas vezes ter vergonha de pedir ajuda.

“Ele não era agressivo, mas chorava em todas as nossas discussões. Então eu pedia desculpas e tudo ficava bem” -Bárbara

Doutor Alexandre Bez: Chantagem emocional! Não deixa de se configurar como primeira relação tóxica, porque há um componente de controle também, mesmo que mais sútil e não agressivo! Entenda essa manifestação de chamar a atenção, através de uma agressividade passiva. Ele se faz de vítima e você cai. 

“Ele gritava e me agrediu, mas segundo ele e sua família, eu que provocava” -Bárbara

Doutora Bia Sant’Anna: É muito comum a culpabilização da vítima, acontece uma inversão completa dos papéis. A pessoa realmente perde os parâmetros e passa a acreditar que a culpa é dela. O que a faz ficar ainda mais enredada na trama do relacionamento tóxico.

“Meus planos que não o incluíam, incomodavam” – V. B.

Doutora Bia Sant’Anna: Sinal de alerta. Porque somos indivíduos, e como tal temos necessariamente desejos e necessidades que são únicos e que podem ou não ser compartilhados com o companheiro. Por isso, manter a individualidade é essencial dentro de qualquer relacionamento.

“Eu não queria ter uma relação sexual em um momento em que ele queria. Então ele insistia e eu cedia mesmo sem querer, porque ele tinha que gozar, e eu nunca conseguia fazer o mesmo” – Bárbara

Doutora Bia Sant’Anna: Avançar os próprios limites e se submeter a situações desprazerosas e/ou não priorizar-se é uma das piores atitudes que se pode ter numa relação. Isso pode ser facilmente confundido com uma negociação necessária. É claro que numa relação não se pode fazer sempre o que se quer, da forma que se quer. É preciso ceder, negociar, conciliar. Mas isso é completamente diferente de abrir mão do próprio bem estar, priorizando majoritariamente o bem estar do outro. É um exemplo claro de exercício de poder sobre uma outra pessoa.

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