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Saúde

A vagina muda de tamanho? Descubra essa e outras curiosidades!

Ela muda de cor e cheiro? Corrimento é normal? Respondemos essas e outras dúvidas!

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curiosidades sobre a vagina

Muitas meninas ainda encaram os assuntos relacionados à sexualidade como tabu, mas é muito importante você conhecer seu próprio órgão genital. Só assim conseguimos evitar problemas de higiene e entender melhor o nosso corpo. Por isso, com a ajuda do Dr. Alexandre Pupo, ginecologista, separamos algumas curiosidades sobre a vagina que você precisa saber para se familiarizar com ela.

Confira 10 curiosidades sobre a vagina:

A vagina é apenas uma genitália?
“O órgão genital feminino é composto por uma parte externa e outra interna. Os lábios maior (que fica mais para fora) e menor (que fica mais para dentro) e o clítoris são parte da vulva. A vagina se inicia na membrana do hímen e é o tubo que vai até se juntar ao colo do útero. O fundo da vagina é “grudado” nessa estrutura chamada colo do útero que tem a forma de um cilindro grosso e que tem um pequeno canal no meio dele que o conecta a parte de dentro do útero, chamado de canal endocervical ou apenas cervical”, explica o Dr. Alexandre.

Existem vários tipos e tamanhos de vagina?
Não. A vagina é sempre igual. Um tubo levemente curvado e mole, elástico e rugoso. O que pode variar é a extensão dele que é considerado normal entre 10 e 16cm. A parte externa é que pode ser variável com lábios da vulva, ela pode ter tamanhos e formatos diversos.

A vagina aumenta de tamanho?
Não. Isso é lenda. A largura e tamanho não mudam. O que ocorre é que, com a menopausa (quando a mulher para de produzir hormônios sexuais femininos), essas estruturas (vulva e vagina) atrofiam e ficam mais finas e “murchas”.

curiosidades sobre a vagina

Foto: iStock

Ela muda de cor?
A vagina tem cor rósea por dentro, ficando mais pálida e amarelada quando vem a menopausa. Ela fica avermelhada e inchada quando tem infecção e arroxeada e inchada quando se está grávida.

O que é corrimento? É normal ter?
A vagina é naturalmente úmida e uma discreta secreção amarela é comum no forro da calcinha ao final do dia.
O corrimento é um nome médico dado para o fluxo relacionado a infecções genitais como candidíase (fungo), vaginose bacteriana e outras. Cada uma das doenças tem um corrimento de aspecto típico.
A candidíase causa corrimento com aspecto de leite talhado e coceira, às vezes provoca inchaço da vulva e ardências com vermelhidão.
A vaginose bacteriana é um distúrbio de flora vaginal (a vagina contém diversos micro-organismos) com crescimento exagerado de uma bactéria que causa odor fétido quando em contato com esperma e sangue, tem corrimento amarelado e ardências com vermelhidão.
A gonorreia causa corrimento amarronzado normalmente associado a febre e muita dor pélvica.
Outros corrimentos como branco, bolhoso e esverdeado também podem ocorrer.
Qualquer corrimento deve ser investigado pelo ginecologista e tratado conforme a necessidade.

É verdade que dormir sem calcinha faz bem?
Sim. Abafar a vagina aumenta riscos de infecção e distúrbio de flora.

Como deve ser feita a limpeza da vagina?
A limpeza deve ser apenas externa com sabonete neutro e sempre de frente para trás para não trazer bactérias do ânus para a vagina, o que causaria infecção.

curiosidades sobre a vagina

Foto: iStock

A vagina tem odor?
A secreção vaginal tem um leve odor metálico. A virilha sua, como fazem as axilas, e pode deixar um cheiro semelhante se ficar muito abafada. Para evitar isso, use calcinha de algodão e roupas leves e folgadas.

É importante fazer exercícios para fortalecer a região pélvica? Por quê?
Exercícios perineais ajudam a fortalecer a musculatura da área em torno e melhorar as condições do parto normal e para evitar incontinência urinária na pós menopausa.

Quais são os principais cuidados que se deve ter com a vagina?
É importante deixar ela “respirar”, quanto menos abafada melhor. Usar calcinhas com tecido que permitem a transpiração e que sequem facilmente, usar roupas leves e folgadas, usar sabonete neutro e evitar lavar a parte interna para não alterar a flora vaginal normal. Sempre evitar contato com conteúdo da região do ânus para não causar infecção. Usar camisinha para evitar doenças transmissíveis e corrimentos. Quando urinar, apenas secar, evite raspar a vagina e uretra com o papel higiênico.

Consultoria: Dr. Alexandre Pupo, ginecologista do Hospital Sírio Libanês

Beleza

Problemas de saúde e autoestima: o que não te contam sobre cirurgias plásticas

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Problemas de saúde e autoestima: o que não te contam sobre cirurgias plásticas
Abby Ouellette

Você provavelmente deve acompanhar alguma influenciadora que já realizou uma cirurgia plástica. Giovanna Chaves, Virgínia Fonseca e Viihtube são alguns nomes recentes. Para as milhões de pessoas que as seguem, muitas vezes pode parecer que essas personalidades passam uma imagem de que o procedimento pode resolver todos os seus problemas. Mas será que essa influência é sempre de maneira positiva? Que os procedimentos são sempre mil maravilhas e totalmente seguros?

Conversamos com uma psicóloga para tentar entender se a busca pelo procedimento é só uma vontade pessoal ou tem uma influência externa, um médico para explicar os riscos, que muitas vezes não ficam explícitos na internet, e com a fundadora da página “Explante de silicone” que passou por um procedimento que a trouxe inúmeras consequências, a fim de mostrar algumas coisas que não te contam sobre cirurgias plásticas.

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procedimento mais que comum entre brasileiras

De acordo com as informações da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas, com um número de mais de 1 milhão, além de 969 mil procedimentos estéticos não cirúrgicos. Dentre eles, a prótese de silicone e a lipoaspiração ganham destaque.

Tais números vêm de uma influência imposta há um longo tempo, da época em que os filmes de Hollywood propagavam a imagem da mulher magérrima, com o corpo perfeito. Isso foi se propagando cada vez mais até chegar nos procedimentos populares, como a prótese de silicone e a nova moda das influenciadoras, Lipo LAD, ou lipoaspiração de alta definição, que tem por objetivo retirar a gordura entre os músculos superficiais, principalmente do abdome, dando maior definição a eles.

Harmonização facial: como funciona e quais são os riscos do procedimento estético?

Em nossa sociedade, o interesse das pessoas pela imagem corporal tem sido grande, e o enfoque principal tem sido dado ao peso e à forma corporal. Os padrões atuais para a beleza enfatizam o desejo de magreza, um ideal aceito por muitas mulheres, mas de difícil alcance para a maioria. Um ideal buscado a todo custo e risco por muitas pessoas. Quando se cria um estereótipo social e você encontra alguém que o represente você se sente influenciado por este representante porque ele representa justamente aquilo que você almeja e você vê que de alguma forma isso é possível”, conta Adriana Cancelier, psicóloga especializada em obesidade e emagrecimento.

De acordo com a especialista, essa alta influência presente na nossa sociedade hoje pode trazer vários problemas psicológicos em quem tem contato com padrões corporais, tais como preocupação excessiva com comida, com o corpo, ingestão compulsiva de alimentos e drogas (devido a restrições), desenvolvimento de transtornos alimentares, não aceitação corporal, temor de não ser aceito ou amado, dificuldades de adaptação social, bloqueio social, frustração, dificuldade de lidar com limites, sensação de desamparo, insegurança, intolerância ao diferente, desenvolvimento de baixa autoestima, ansiedade e depressão.

nem tudo são flores

Cirurgias plásticas possuem riscos e nem sempre isso é mostrado. Larissa de Almeida (36), fundadora da página @explantedesilicone, foi uma das brasileiras que colocou a prótese de silicone, há oito anos, com o pretexto de que era para sentir-se “mais mulher”. “Eu via na mídia aquelas mulheres com peito grande e me sentia mal. Sempre fui bem magrinha, pequenininha, então ter peitos maiores era uma coisa que eu coloquei na cabeça que tinha que ter para ser mais mulher”.

Porém, Larissa afirma que a elevada e, de acordo com ela, falsa autoestima que sentiu com o silicone foi por um curto período de tempo. Logo começou a ter dores na região da mama, na costela e problemas de respiração. “No começo eu deixei levar, mas depois, começou a ficar preocupante“.

Com três anos de prótese Larissa teve contratura capsular – que ocorre quando a cápsula, formada naturalmente ao redor da prótese, aperta ela em uma tentativa de “expulsar” o corpo estranho. Depois de mais dois anos, teve a segunda. “Foi aí que eu percebi que tinha que tomar uma providência“, diz ela. Começou a pesquisar sobre os sintomas e descobriu mais problemas que tinha, que nem sonhava serem por conta da cirurgia plástica.

Dossiê Lipo LAD: os riscos, resultados e valores do novo procedimento estético preferido das famosas

Olhos secos, problema de visão, perda de memória, problemas nas articulações, dores nas mamas, não conseguir dormir de bruços, ou dar abraços, queda de cabelo e mais outros 20 sintomas por conta da prótese. “Foi um baque não queria aceitar“. Pesquisando mais e mais, Larissa acabou descobrindo inúmeras mulheres que passam pelo mesmo ocorrido e que popularizaram o nome como “Doença do silicone”.

Ela afirmou que faltou muita instrução médica antes de realizar o procedimento e que isso é uma coisa que não te contam quando você pensa em realizar. É cada vez mais importante que páginas como a dela, que mostrem a realidade das cirurgias estéticas, continuem crescendo assim como a influência cada vez maior por parte das famosas do Instagram.

Meu objetivo com a página é alertar as mulheres na hora desses procedimentos e mostrar que existe beleza no natural e que as mulheres que realizaram o explante também podem ser felizes, se aceitando como são“.

Uma influencer que compartilhou o resultado de uma lipo LAD logo que saiu da mesa de cirurgia, foi Virgínia Fonseca. Os seguidores ficaram assustados com a gravidade de hematomas aparentes no corpo da influenciadora, mas aplaudiram o gesto dela “mostrar que nem tudo são flores”.

riscos das cirurgias

A doença do silicone, explicada pelo doutor Ricardo Miranda, está relacionada ao aparecimento de diversos sintomas, muitas vezes não divulgados, que aparecem após a colocação da prótese. Os principais sintomas são fadiga, queda de cabelo, dor de cabeça, ansiedade, depressão e insônia.

Ricardo  explica que as pacientes devem ser informadas de todos os riscos possíveis pelo médico e só assim, seguir com o procedimento escolhido de forma consciente. “É importante saber que todo procedimento assim possui riscos. Dentre os principais e mais comuns são infecções, hematomas, aberturas do ponto e a trombose“, afirma o especialista.

O doutor ainda explica sobre o popular procedimento “Lipo LAD”. As consequências são graves se não for realizado da maneira correta e por um profissional responsável, podendo causar distorções da anatomia corporal e fibrose.

A influenciadora Giovanna Chaves, que realizou o procedimento da Lipo LAD, compartilhou recentemente que teve complicações após a cirurgia. “Estou usando isso (um curativo na lateral da barriga) porque eu estava com muita retenção (de líquido) e eu acabei tendo fibrose”, afirmou em um vídeo publicado nos stories.

A Lipo LAD é um tipo de cirurgia bem novo e por isso é muito incerto saber todas as consequências que ela pode causar. Portanto, pode ser bem arriscado se aventurar nela, só por influências externas que ainda não tem um prazo de tempo longo, e não são garantia que sua saúde não será comprometida.

para o público jovem, o perigo é ainda maior?

É fato que a maior parte da população que habita as redes e segue influenciadores é jovem. A psicóloga Adriana explica que quanto menor a maturidade, maior a chance de se influenciarem e quererem fazer alguma cirurgia estética sem nenhum conhecimento sobre o assunto. “Jovens  procuram participar de grupos uniformes, fazendo parte de uma identificação, onde se identificam uns com os outros. Eles se baseiam mais em estereótipos que são supostamente populares na sociedade em que fazem parte“.

Criamos a nossa identidade através de imagens, pessoas e vivências, que permeiam nosso convívio. Dependendo de como este adolescente se vê ele pode desenvolver uma inadequação da sua imagem corporal que pode acarretar uma insatisfação com o próprio corpo, levando a um “distúrbio” de autoimagem e transtornos alimentares (anorexia nervosa e bulimia nervosa)“, afirma.

De acordo com o doutor Ricardo Miranda, para pacientes menores de 18 anos não são recomendadas cirurgias desse tipo, por conta do ainda desenvolvimento corporal. É necessário ter a autorização dos pais para tal. Já alguns procedimentos como mamoplastia redutora, em pacientes com dores nas costas, são permitidos e essenciais para a garantia da saúde.

o problema não é fazer o procedimento, mas, ter maturidade para entender que não será este procedimento que resolverá seu problema de autoestima e autoaceitação”

Adriana explica que não repudia completamente as cirurgias estéticas e que elas podem ser feitas, desde que de forma consciente. “É importante primeiramente trabalhar a autoaceitação e a autoestima, pois, estes são processos que vem de dentro para fora.  Saber que cada indivíduo é diferente e tem suas características particulares. Com consciência e maturidade podemos sim mudar algo que nos incomoda“.

A respeito da responsabilidade de influenciadoras, a especialista explica que o problema está na banalização e não mostrar os vários riscos e consequências que cirurgias plásticas podem trazer. “Acredito que poderiam falar de uma forma mais individualizada, levando em conta que influenciam o mais variado público, ter esta responsabilidade com as pessoas que as seguem. Veja, o problema não é fazer o procedimento, mas, ter maturidade para entender que não será este procedimento que resolverá seu problema de autoestima e autoaceitação”.

como descobrir se a cirurgia plástica é uma vontade própria ou influência de pessoas que a gente segue?

De acordo com Adriana é importante se entender e pensar que você tem pensamentos completamente diferentes da outra pessoa.

A parte mais importante deste processo é o autoconhecimento. Se eu me conheço, compreendo meus pontos fortes e sei onde preciso trabalhar e desenvolver. Saber das minha qualidades e incluir significado e propósito em nossas vidas pode ser tremendamente motivador, empoderador e terapêutico. Quando foco em minhas potencialidades desenvolvo uma relação mais positiva comigo mesmo e com o mundo que me cerca. Procurar um bom profissional que ajude a compreender este processo pode ser extremamente válido“.

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Beleza

Mito da beleza e obsessão por saúde: a linha tênue entre bem estar e gatilhos de doenças mentais

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Mito da beleza e obsessão por saúde: a linha tênue entre bem estar e gatilhos de doenças mentais
Rawpixel

“Perfection is a disease of a nation, pretty hurts” (em tradução literal: “perfeição é a doença de uma nação, a beleza dói”). Beyoncé cantou sobre a obsessão pela beleza em 2013 e a cada dia essa busca se torna cada vez mais inalcançável. O “mito da beleza” é um termo popularizado por Naomi Wolf em 1992 ao publicar um livro feminista de mesmo nome. Segundo a jornalista, o culto à juventude e beleza inalcançável é incentivado para que um mecanismo de controle social seja estabelecido, dificultando a emancipação das mulheres.

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Com frequência, a moda e beleza deixam de ser formas de expressão para se tornarem padrões impostos, e muitas vezes, esperados como única opção das mulheres. Nos últimos tempos, os padrões têm sido estabelecidos e aceitos por se conectarem a uma falsa sensação de propósito com a saúde. Ou seja, fazer dietas malucas e exercícios em excesso são justificados pela errônea ideia de que magreza significa estar saudável, e consequentemente, bonita. O mesmo ocorre com a depilação, já que pelos em mulheres – homens são livres desse paradigma – são sinônimos de sujeira.

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A saúde da pele também ganhou ênfase recentemente, visto que o uso intensivo de maquiagem perdeu espaço para a pele “natural”. Bom, não é?! Acontece que a indústria reverteu qualquer positividade: todos os dias surgem produtos diferentes que incentivam rotinas cada vez mais caras e numerosas. Além do repúdio às espinhas, métodos mais invasivos ganham os consultórios, assim como a popularização de cirurgias plásticas em mulheres cada vez mais novas. Até onde vai uma ação em favor da autoestima e quando começa a obsessão por um corpo que não existe?

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beleza real não cabe em uma caixa

Segundo o cirurgião plástico Victor Cutait, existem tecnologias muito avançadas, mas nenhuma é capaz de remodelar completamente o corpo. “Os procedimentos estéticos e cirurgias plásticas estão disponíveis para melhorar a autoestima e autoconfiança, mas sempre respeitando a essência, a história e a origem de cada um”.

“Existe um limite que o próprio corpo diz, a partir de cada constituição física. Cada pessoa tem sua beleza própria e características que devem ser valorizadas e é isso que os procedimentos devem explorar. Esse cuidado precisa ser tomado de maneira muito intensa, porque se nos deixarmos guiar pelos padrões e o bombardeio de imagens que as redes sociais e a grande mídia impõem, acabamos buscando algo inatingível, o que pode levar a consequências sérias”, afirma o Dr. Cutait.

O cirurgião alerta que essa obsessão pela beleza traz diversos danos para a saúde mental, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, agorafobia e até mesmo fobias sociais. “A busca incessante pela perfeição também pode provocar dismorfia corporal – um transtorno psicológico que consiste em uma preocupação excessiva pelo corpo, fazendo com que a pessoa não enxergue sua aparência real, superdimensionando pequenas imperfeições ou mesmo, imaginando essas imperfeições. Esse transtorno pode incluir anorexia, bulimia, vigorexia e causam diversos outros problemas, que envolvem doenças imunológicas, autoimunes e problemas digestivos”, finaliza.

“O mito da beleza seria acreditar que existe um padrão único e específico para se sentir bonito. Enquanto o mundo é formado por pessoas e padrões diferentes, não existe nada fixo, perfeito ou 100% simétrico. Precisamos aprender a admirar a beleza das diferenças”, diz a Dra. Fabiane Curvo de Faria, psicóloga especializada em terapia cognitivo comportamental e dialética comportamental, idealizadora da plataforma on-line “aterapia” e co-fundadora da plataforma digital “Sala de Ideias”, onde disponibiliza textos informativos sobre saúde emocional.

Para a psicóloga, tantos padrões são especialmente tóxicos quando se trata de alguém que está formando sua identidade. “A adolescência é quando estamos nos transformando, definindo como queremos ser, o que queremos realizar. Por isso os adolescentes estão sempre vulneráveis, abertos e flexíveis nesta fase. Na adolescência muitas atitudes e perfis são moldados, por isso deve ser um período de acompanhamento e orientação por parte dos pais e educadores”.

obsessão por saúde não é saudável

Fazer exercícios, evitar alimentos industrializados, cuidar do corpo… são tantos hábitos que devem ser incentivados, mas a verdade é que, assim como as cirurgias, o exagero leva à busca por uma beleza que só existe em mito. “É paradoxal: o que faz bem pode, muitas vezes, fazer mal. Não é porque a princípio não tem contraindicação que pode ser administrado em altas doses. Lembre-se: até água em exagero afoga. Esse comportamento que você cultiva, um rímel que você gosta, uma roupa que te faz sentir bem, pode ser uma ótima maneira de levantar sua autoestima, mas não pode ser a única. A vida tem múltiplos prazeres. É preciso explorá-los. Quando você enxerga apenas um, deixa de ser saudável”, pontua a Dra. Curvo de Faria.

“Nada contra nenhuma dieta, qualquer produto ou procedimento de estética em específico, desde que preserve a saúde. Contudo, percebo muita gente (principalmente na fase da adolescência que é mais suscetível aos modismos) perdendo a saúde em nome da própria saúde. Perdem a saúde porque restringem tanto a alimentação, que deixam de seguir a vida social e até mesmo familiar. Traçam tantas regras e acabam condenados por elas”, completa.

é possível um equilíbrio?

Deixar de adotar e se importar com padrões é muito difícil, já que o julgamento parece habitar todas as esferas da vida de alguém. Entretanto, vale dizer que a mídia tem se esforçado para fazer sua parte e colocar a pluralidade de corpos como prioridade número #1, tanto no jornalismo como no entretenimento.

Ainda há muito caminho para ser percorrido, mas por enquanto, vale trabalhar todo dia uma autorreflexão sobre o tema. “É saudável quem consegue estabelecer, diante de tudo o que lê e assiste sobre alimentação, um critério que contemple seus valores sem trazer perdas para a vida pessoal, social, familiar e profissional”, afirma a psicóloga, que incentiva a busca por terapia para desenvolvimento de um tratamento individual e assertivo.

“Acredite em si mesmo, desenvolva sempre a sua autoestima e estimule crenças positivas sobre si mesmo. Outra dica muito importante é não considerar tudo que o outro diz, procurar sempre fazer uma auto avaliação”, finaliza a Dra. Curvo de Faria.

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Comportamento

Março Lilás: conscientização e alerta sobre o câncer de colo de útero

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Março Lilás: conscientização e alerta sobre o câncer de colo de útero
Arte: Laura Ferrazzano

Março, além de contar com o Dia Internacional da Mulher, é responsável por acolher um importante movimento de conscientização do público feminino: o mês da conscientização sobre o HPV, um tipo de infecção sexualmente transmissível (IST), e voltado ao combate ao câncer de útero.

A campanha Março Lilás convoca meninos e meninas de 9 a 14 anos para se vacinarem contra a doença em postos de saúde de todo o país. Para entender melhor o tema e esclarecer as principais dúvidas, a todateen conversou com Dr. César Patez, obstetra e ginecologista.

Confira!

o que é o HPV?

HPV é uma sigla para Papilomavírus Humano, que atinge pele e mucosas. Atualmente, são conhecidos mais de 200 tipos de HPV, associados a diversas doenças. Muitos deles podem afetar as partes íntimas da pessoa infectada. “Além das verrugas típicas na região genital e anal, com coceira e ardência, as verrugas também podem aparecer na garganta, bochecha, céu da boca, lábios e língua”, afirma o médico.

Em alguns casos, a paciente pode sofrer alterações celulares, conhecidas como lesões precursoras, que podem evoluir para o câncer de colo de útero, de garganta e de ânus, por exemplo. São os HPV do tipo 16, 18, 31, 33 e 45.

“Mais de 90% dos casos de câncer de colo uterino, também chamado de câncer cervical, são desenvolvidos pela infecção do HPV, mas contrair o vírus não significa que a pessoa terá câncer. A maioria das pessoas se livrará do microorganismo por atuação de seu sistema imunológico”, explica César.

quais os riscos do câncer de colo de útero?

O câncer do colo de útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas para 2021 são de que surjam 16.590 novos casos da doença no país.

+ Conheça os direitos das mulheres diagnosticadas com câncer de mama

Por conta disso, o médico reforça que é extremamente importante as mulheres se prevenirem, antes mesmo do aparecimento de sintomas. “O câncer uterino é uma doença que não manifesta sintomas na fase inicial. Alguns sintomas como sangramento vaginal anormal e dor durante o ato sexual podem aparecer, mas em geral, ocorrem quando a doença já está mais avançada.”

existem exames preventivos?

A faixa etária mais comum do HPV é de 16 a 25 anos, enquanto o aparecimento do câncer de colo de útero é mais frequente entre mulheres de 45 a 50 anos. Mesmo assim, o destaca que os exames preventivos devem fazer parte da rotina de todas, independentemente da idade, assim que se tornam sexualmente ativas.

“Para diagnosticar o câncer, é necessário realizar alguns exames preventivos, como o papanicolau. Mas o acompanhamento deve ser frequente, até para a prevenção ser mais efetiva”, pontua ele. Lembrando que a vacinação continua sendo uma das melhores opções de prevenção para o HPV, aliada a outras ações.

“O uso do preservativo durante o sexo é um método eficaz de proteção que não deve ser dispensado, já que previne o vírus e outros tipos de infecção, como herpes, sífilis e gonorreia. Também recomendo que não se compartilhe roupas íntimas e toalhas para evitar a transmissão”, alerta o obstetra. “As medidas precisam se complementar, já que a vacina, sozinha, não protege contra todos os tipos oncogênicos do HPV.”

tem cura?

O câncer de útero não tem cura, mas o tratamento tem avançado nos últimos anos. Totalmente individualizado, o método varia de acordo com o estágio da doença, com a idade da paciente e o seu desejo de ter filhos ou não, por exemplo.

“Entre as alternativas, estão a cirurgia de retirada de parte do colo do útero ou do útero completo, quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, e cada uma deve ser avaliada com cautela por um especialista.”, explica ele, chamando a atenção para o HPV e câncer de colo de útero durante a gravidez.

Ele aponta que a presença do vírus não impossibilita a gestação, e, inclusive, após o parto, raramente ocorre transmissão de mãe para filho. Já nos quadros de câncer, a situação para as grávidas é um pouco mais delicada. “Dependendo do estágio do tumor, pode ser necessário interromper a gestação, com o consentimento da gestante e de familiares. Também é possível manter a gravidez e realizar a quimioterapia alguns meses depois do parto”, finaliza.

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