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Entrevista: Ana Paula Cardoso compartilha experiência de comandar e-commerce pioneiro no nicho literário

Entrevista: Ana Paula Cardoso compartilha experiência de comandar e-commerce pioneiro no nicho literário
Entrevista: Ana Paula Cardoso compartilha experiência de comandar e-commerce pioneiro no nicho literário (Divulgação | Arte: Laura Ferrazzano)

Ana Paula Ferreira Cardoso tem 25 anos e já é uma grande inspiração. Natural de Silveiras, no interior de São Paulo, Ana Paula é o rosto por trás de um e-commerce de sucesso, especializado em produtos literários, velas, papelaria e home decor.

A ideia inicial de ter um seu próprio negócio surgiu quando ela tinha 15 anos. “Eu estava no Ensino Médio e eu não tinha experiência alguma com vendas de nenhum setor, tanto física quanto online.”, contou. Mais tarde, entre diversas idas e vindas, Ana Paula conta que sua loja – diferente do que muitos podem imaginar – surgiu em sua vida como uma certeza.

“Eu, com toda a felicidade do mundo falo que nunca rolou nenhuma insegurança. E eu falo isso porque eu sou uma pessoa extremamente insegura, eu abro esse meu lado vulnerável aqui para falar que eu sou muito tímida, tanto que, até hoje, eu nunca coloquei o meu rosto na loja, um story, uma live, um reels – nada. (…) A loja me salvou de muita coisa, mas ainda tem muita coisa em mim que eu preciso trabalhar.”, revelou ela, que abriu o coração e contou detalhes de como estava antes de abrir seu negócio.

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“Eu estava praticamente entrando em depressão. (…) E eu não sabia como sair daquilo, minha psicóloga falava que eu não estava sendo eu, que eu tava longe da minha essência. Tanto que quando a ideia de criar a loja veio, parece que ela veio tão do nada, parece que alguém jogou ela dentro da minha cabeça, o universo, Deus, não sei quem foi, qual divindade jogou, mas jogou, porque ela foi do nada. Foi num momento assim que a minha vida estava completamente vazia.”, relembra.

“A minha loja, minha empresa, me salvou, porque ela veio em um momento em que… eu não sei qual seria o estado da minha saúde mental hoje, quase dois anos depois, se ela não tivesse surgido.”Ana Paula Cardoso

No início, Ana Paula começou o empreendimento com sua amiga “Nat” (apelido carinhoso). No entanto, depois de um tempo, a colega foi seguir suas próprias aspirações. “Atualmente eu não tenho nenhum tipo de ajuda para tocar o meu negócio. Ele é administrado 100% por mim, e é engraçado porque eu sempre achei que eu sempre pediria ajuda.”, brinca a empresária, que também conta que, se precisa, Nat ainda vem correndo auxiliá-la.

De maneira muito feliz e descontraída, Ana Paula dá detalhes de como é viver o dia a dia de sua própria empresa.

“Você tem tudo dentro da sua cabeça. Então todos os dias eu visito as áreas da minha empresa. Eu acordo, eu entro na minha sala da presidência (risos). Daí eu vou dar uma volta lá na produção, eu vou conferir o estoque, a logística, vou ver o que está faltando para fazer a lista de compras – que eu mesma tenho que comprar -, vou falar um ‘oi’ pra estagiária – que também sou eu -, vou falar um ‘oi’ pra equipe que controla as redes sociais e com o pessoal que faz os despachos nos Correios e o pessoal das finanças. Tudo eu.”, fala.

“Se você toca um negócio sozinho, você tem que lidar com isso e você tem que aprender isso: aprenda o que é cada área de uma empresa, como cada área de uma empresa funciona, e não é porque você tem um e-commerce que ele tá concentrado dentro de uma plataforma que você não tem que lidar com essas outras áreas de uma empresa física, essa empresa física está ali dentro dessa plataforma. E você tem que estar tão atenta a ela quanto se você estivesse num lugar físico.”, aponta.

E, embora Ana Paula goste, sim, de tocar as coisas sozinha, a empreendedora também ressalta com muito carinho todo o apoio que recebe de seus pais.

“A minha mãe atualmente me ajuda com a parte da produção, porque a parte da produção é a que necessita de atenção, e, enquanto eu tô ali na parte de finanças, foto, despacho, montagem de caixa, redes sociais, a minha mãe está ali me ajudando na parte de produção.”, conta, explicando que sua mãe trabalhou a vida inteira com artesanato, design e artes plásticas.

“Ela tem uma facilidade, eu acho que eu herdei muito isso dos dois, eu sou mistura perfeita do meu pai com a minha mãe. A parte administrativa veio do meu pai e, em um combo, eu nasci, entendeu? (risos).”, disse.

Amantes de Harry Potter, Crepúsculo, Sarah J. Maas, Cassandra Clare e muito mais: a loja é a queridinha de inúmeros fandoms do nicho literário. Com a pandemia, os bookstagrams e o consumo de produtos temáticos aumentou, fazendo com que diversos amantes de literatura entrassem em contato com os produtos caprichados de Ana Paula.

“Eu já gastei mais de seis horas no design de um rótulo, fazendo detalhe por detalhe, construindo estrelinha por estrelinha, florzinha por florzinha.”, conta a empresária, que frequentemente lida – com muita classe! – com plágios de seus rótulos e competição desonesta.

(Reprodução/Instagram)

“O maior desafio pra mim, que eu enfrento até hoje e eu acredito que será um desafio constante porque vai de acordo com o mercado, é que eu, Ana Paula, como dona de um e-commerce que tem um produto artesanal vejo a precificação de vela como o meu maior desafio. Porque precificar a vela, o preço de custo dela em si, ela tem um preço de custo muito alto e, às vezes, o cliente não entende isso.”, explica.

“Hoje eu percebo o quanto é difícil você tentar precificar um produto que vai muita mão de obra, muita matéria-prima. E essa matéria-prima muda de preço o tempo todo no mercado, – meu Deus, como muda de preço! -, a cera de soja, por exemplo, a cada semana tá com um valor e, nem sempre ela tá disponível no mercado porque ela é, no momento, o material, entre os tipos de cera, mais utilizado.”, aponta ela.

Com o cenário econômico pouco favorável, Ana Paula, que incentiva, sim, que outras mulheres corram atrás de seus sonhos no empreendedorismo, mas faz também alguns alertas baseados em sua experiência pessoal.

“Às vezes as pessoas vão todas tão empolgadas em ter uma lojinha, não só pela empolgação, mas também as pessoas estão buscando ter renda. (…) Só que, às vezes as pessoas, elas vão com muita sede ao pote, achando que empreender é fácil, que é rápido e traz resultados rápidos, e nem sempre é assim. Existe um processo muito burocrático até o momento em que você coloca o seu produto no mercado, divulga ele e para que ele te traga resultados bons.”, explica a ela.

“Para uma empresa render, independente do seu tamanho, ela precisa de três anos de vida útil. A loja não tem nem dois ainda, ela completa dois em agosto. E eu acho que a gente está extremamente estável, a gente tá indo muito bem. Para um ano e meio de loja a gente alcançou muita coisa. Mas por isso que eu falo que a gente ainda tem muita coisa para percorrer, muito obstáculo para gente passar, já que principalmente no país que a gente vive que não favorece nem um pouco o microempresário.”, ressalta.

“Empreender no Brasil é estar atento o tempo todo a essa questão de mudança de preço, porque não é só ‘vou subir o preço do meu produto para lucrar mais’. Porque não se trata do lucro, se trata de você conseguir adaptar o seu produto pra que ele seja valorizado no mercado, para que todo mundo consiga comprar ele e, consequentemente, você tenha lucro.”

Ana Paula Cardoso

A mensagem que Ana pretende passar é, justamente, transportar o cliente para o universo do seu livro favorito.

“Eu sou muito disso de cheiros, sensações, toque e tudo o mais, então acho que foi muito isso que me trouxe para dentro da questão das velas aromáticas. (…) Então o intuito da minha empresa é criar esse ambiente acolhedor, aconchegante entre o leitor e o livro dele. Quando ele olha pra vela e sente a vontade de acendê-la, que ele pense ‘nossa, é a vela do meu personagem e eu me sinto do lado dele’. (…) E quando a pessoa vem com o feedback positivo, falando que aquele é o cheiro que ela sempre imaginou me dá a sensação de missão cumprida, e essa é a minha alegria maior.”, conta.

Ela ainda afirma que, quando as pessoas falam sobre a vela, sobre os produtos, Ana Paula sente que o público está, na verdade, enxergando sua essência.

“Sem querer elas tão falando desse meu lado que eu quero que as pessoas reconheçam, é o lado que faz com que eu me sinta útil, suficiente, valorizada, validada, então é bom para mim ter esse feedback, porque, quando elas estão elogiando um produto é como se elas estivessem reconhecendo esse lado meu que nunca foi reconhecido antes, nem mesmo por mim, e que eu tô aprendendo a reconhecer agora.”, afirma.

“Nunca foi sobre lucro ou dinheiro, por isso é tão difícil pra mim na hora ter que aumentar o preço de um produto, porque eu sei que isso vai acabar decepcionando a pessoa (…) E, às vezes, esse produto é tudo o que te alegra e você vai lá e vê que aumentou o preço, você pensa ‘poxa, agora eu não vou poder comprar’. Então toda vez que eu vou fazer alguma coisa, eu penso dos dois lados, eu penso como consumidora e como empresária. O que eu faria se eu fosse uma consumidora nessa situação? O que eu faria se eu fosse uma vendedora nessa situação?”.

Com tantos feedbacks incríveis e “energia boa”, como diz a própria Ana Paula, em seu ecommerce ela também teve a oportunidade de desenvolver seu lado filantrópico com um projeto paralelo. “Eu tenho muita vontade de crescer esse projeto para expandir ele para conseguir arrecadar mais do que somente dentro do lucro do produto, eu penso em expandir ele, de arrumar meios de focar, ter um lucro reservado só para as doações.”, conta ela.

“Eu tenho essa filosofia de que se a gente tira da natureza a gente tem devolver de certa forma, de algum jeito, e o meu jeito de devolver é fazendo essas doações que ajudam instituições de caridade que visam a proteção da fauna e flora do país. (…) O nosso foco sempre foi mesmo a questão dos animais e do meio ambiente, (…) essa responsabilidade social que eu quis trazer, a teoria da responsabilidade social que eu aprendi lá na faculdade e, hoje, eu consigo aplicar no dia a dia.”, fala.

Com quase dois anos de loja, Ana Paula afirma com ênfase de que se sente mais empoderada por conta do e-commerce.

“Eu me sinto muito útil, muito suficiente, valorizada, validada, também faz com que eu me sinta forte, porque antes eu não me sentia forte, antes eu só ia de acordo com a maré, mas agora eu faço o meu próprio fluxo, eu crio o meu próprio fluxo, e eu sou forte o bastante pra nadar contra a maré se for necessário. E isso não quer dizer que eu já alcancei um nível emocional totalmente estável, por que não, eu ainda tenho todos os defeitos do mundo, ainda tenho todos os meus problemas.”, divide ela, que ainda deixa uma mensagem maravilhosa.

“Já falei isso para as pessoas, transforme dor em poder. Porque foi isso que eu fiz em 2019, e eu acho que é por isso que a loja sempre teve uma trajetória positiva (…), até porque eu tinha tanta coisa acumulada dentro de mim, sentimentos, bons e ruins, que eu joguei tudo na loja, e tudo nela, é combustível.”.

Ela conta que, ser dona do seu próprio negócio te ajuda a trabalhar não só sua independência financeira, mas a sua independência emocional. “Quando você direciona todo o seu foco para uma coisa só, que é, realmente, a sua prioridade, algo que depende de você, é como se fosse o seu filho mesmo, a loja é minha filha, ela depende de mim para sobreviver, então, assim, eu preciso focar nela, é ótimo focar quando eu tenho coisas dentro de mim que eu preciso desabafar e descontar em algo, sabe? Porque eu transformo em coisa boa, eu transformo em criações.”.

A loja fez eu perceber o quão forte, o quão poderosa, eu posso ser diante de situações como essa. De eu conseguir criar um produto, ou conseguir atender a uma demanda gigantesca quando tudo no meu lado pessoal parece estar ruindo. Quando está tudo indo por água abaixo, eu penso ‘Eu ainda tenho a a loja’. Se ninguém no mundo estiver por ali, a loja ainda vai estar. E disso eu tenho certeza.”.Ana Paula Cardoso


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