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Escola “As Pensadoras” expõe a importância da formação intelectual feminista

Escola “As Pensadoras” expõe a importância da formação intelectual feminista
Escola “As Pensadoras” expõe a importância da formação intelectual feminista (Reprodução)

Você se lembra de abrir o livro de Filosofia na escola e ler nomes de mulheres em destaque ao lado de Platão e Sócrates? Provavelmente não. Talvez, você tenha encontrado mulheres como referência em algumas exceções. E é no movimento de mostrar a importância de evidenciar as mulheres de diferentes áreas do conhecimento que nasce a Escola As Pensadoras

“Desde muito nova eu me incomodava, como feminista, de porque que nós não estudávamos mulheres na Filosofia. Mas isso não era tão consciente. À medida que eu fui adentrando a área e me tornando uma profissional de carreira, percebi o tamanho da desigualdade de gênero que existia na Filosofia em relação a participação das mulheres”, aponta Rita de Cássia Fraga Machado.

Assim, a professora universitária encontrou na Escola virtual uma iniciativa muito potente no combate à desigualdade de gênero na Filosofia e em diversas áreas afins. E a todateen teve a oportunidade de conversar com Machado para entender mais sobre este projeto tão importante.

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Confira: 

como tudo começou

Em março de 2020, já em meio ao contexto da pandemia, Rita se deparou com um questionamento: “Como eu vou continuar o meu trabalho de filosofia feminista e de educação feminista na universidade, mantendo conexão com as com as estudantes que estavam nesse processo de estudar mulheres pensadoras e, ao mesmo tempo, fazer algo importante pro lugar onde eu estou?”

Professora de Filosofia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e também membro da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas, Rita idealizou um espaço virtual para promover formação intelectual feminista. Contudo, o que antes seria apenas um curso online de introdução aos feminismos, acabou se tornando algo muito maior. 

“Tenho um trabalho nas comunidades ribeirinhas com mulheres indígenas e não indígenas que precisavam muito também da minha solidariedade. Porque a gente mantinha um vínculo amoroso, político e afetuoso nos projetos que eu desenvolvia. Então, pensei, o que que eu, como uma intelectual, como uma estudiosa de mulheres, poderia contribuir no momento […]  E esse curso, pra minha surpresa, teve três mil inscritas […] Desse curso, tiveram muitas sugestões de porque nós não continuamos estudando as mulheres. E aí dessa ideia que veio do coletivo, surgiu ‘As Pensadoras’.”

Atualmente, a Escola oferece diferentes cursos para promover o estudo interdisciplinar do pensamento de mulheres. Abordando temas desde “O que é empoderamento?” até “Escrita Criativa”, os projetos apresentados não ficam apenas no âmbito da Filosofia, mas sempre dão visibilidade aos vários pensamentos das mulheres. 

“À medida que o projeto foi se ampliando, se coletivizando e se tornando de fato uma experiência de formação no estudo das mulheres com mulheres, a Escola também se ampliou muito. Então todas as mulheres que trabalham com pensamento de mulheres, são convidadas a participar da escola, em qualquer nível”, pontua Rita. 

feminismo é comunidade

A professora ainda explica o que está por trás da decisão de explorar vários temas com As Pensadoras: “Nós queremos conversar com todas. Porque eu penso, como fundadora dessa escola, que os feminismos são isso, né? Precisa ser um espaço que agregue todas e que caiba todas, com todas as suas diferenças. E, para isso, a gente vai ter que criar metodologias e fórmulas que caibam todas.”

“O futuro do feminismo é comunitário, é comunidade. Ou nós aprendemos de vez que nós precisamos andar lado a lado, que sozinha eu ando bem, mas com outras mulheres eu ando melhor, para combater o patriarcado e o machismo e aliado ao capitalismo. Não é possível fazer isso sozinho, é necessário fazer isso com muita formação, com muito estudo, com muito afeto e com muita união”, conta.

Nesse sentido de coletividade, a idealizadora também ressalta a importância de promover a formação intelectual feminista para as gerações mais jovens. “Não vejo outra maneira de alcançar […] um público jovem entrando na vida das pessoas que não seja através da formação, da educação. De uma educação feita com competência, com rigorosidade e com qualidade. A Escola As Pensadoras é tudo isso, aliado ao afeto e a amorosidade”, afirma.

Rita expõe que promover um espaço de acolhida e de escuta para as mulheres pela Escola é algo que, de fato, abre caminho para a mudança positiva na vida dessas mulheres.  “E  esse espaço de escuta se transforma em uma busca por ferramenta teórica mesmo, para combater o machismo, o racismo, o patriarcado e toda essa presença patriarcal nas ciências. Então a Escola tem mostrado isso, que a experiência educativa das mulheres com mulheres faz toda a diferença. Não é de mulheres para mulheres, é das mulheres com mulheres”, diz.  

“Porque o feminismo que eu luto e que a Escola tem como base, é um feminismo de busca a emancipação humana, que liberte mulheres e homens, porque o machismo também é algo muito ruim aos homens”, continua a profissional. 

as pensadoras na prática

A Escola também oferece a possibilidade das alunas se associarem na Comunidade d’As Pensadoras. Vale ressaltar que os projetos oferecidos apresentam um custo diferenciado para estudantes e profissionais, enquanto a filiação na propõe um investimento mensal de R$19,90, trazendo atividades exclusivas e descontos de até 100% nos cursos. 

Rita conta que a contribuição financeira auxilia na remuneração da equipe, a qual apresenta mulheres de várias áreas na atuação. “Contribuir com uma forma bem simbólica, porque nós somos uma equipe e essa equipe é toda remunerada. Não tem trabalho voluntário e muito menos exploração do trabalho da equipe”, ressalta.

A professora universitária ainda entende que é na comunidade construída pela Escola que existe uma troca importantíssima entre as mulheres. “A comunidade é um sentido mesmo de união. De que a gente pode fazer as coisas e isso vai ser de forma conjunta. Vai ser de forma com todas as mulheres. Não é possível fazer algo tão grandioso como é a Escola As Pensadoras de forma individual”, pontua. 

“Todas nós que estamos hoje nas pensadoras, temos um bem comum que é a luta pelos feminismos. Então todas as pessoas que entendem essa importância e entendem a importância de também estar no território da internet buscando formação intelectual, porque é o que nos emancipa, […] podem estar associada à comunidade. A comunidade é o que daqui pra frente vai pautar toda a agenda pedagógica de formação da Escola”, completa. 

Rita também compartilha como as atividades da Escola buscam a formação como uma forma de emancipação das mulheres – o que já tem tido várias consequências positivas na prática. “Nós temos relatos de várias colegas que participam da escola hoje e que estão com projetos semelhantes nas universidades, que estão estudando mais mulheres, que estão ocupando os espaços das ciências – que são tão machistas. Então, pra nós, isso é um orgulho […] A escola, de fato, tem uma uma inserção e uma colocação real na vida das pessoas, muda a vida das pessoas”, conta.

“[Também temos] vários relatos de como a escola contribuiu na universidade do Piauí, no interior do Piauí. De como é que é a como é que a Escola está contribuindo lá no Alto Solimões estimulando mulheres indígenas a formar uma Escola de pensamento indígena, de mulheres indígenas, de guardiãs, de anciãs”, completa. 

o alcance da escola 

A profissional também explica que a Escola se consolidou em um ambiente virtual, pois ela “nasceu de uma experiência virtual em um momento em que ou a gente fazia isso de forma virtual ou a gente não fazia”. Contudo, Rita assimila como promover os cursos desta forma tem promovido um alcance ainda maior da formação intelectual de mulheres, em diversas regiões do Brasil e do mundo. 

“Nós temos pessoas de dezessete países que participam, que estão em Portugal, que estão em Paris, Nova Iorque, África, Austrália, Áustria, participando dos cursos e de algumas atividades da escola. Se isso não fosse virtual, a gente não poderia ser possível”, comenta Rita, que também evidencia a necessidade de trazer o afeto ainda que dentro de um ambiente online. 

“Como eu sempre digo pra minha equipe, [precisamos de] muita amorosidade e afetividade nesse processo, porque nós estamos atrás de computadores de tela, onde a gente não pode ter o abraço e o toque. Mas a gente pode sim desenvolver empatia, desenvolver colaboração, desenvolver o espaço para que cada uma possa falar sem ser interrompida, o espaço para cada uma possa expor também o que sente, o que está entendendo”, diz.

Com essa visão, a idealizadora da Escola pontua seu principal objetivo atual com o projeto: “É que a gente possa, juntas, ser um grande espaço de formação múltiplo, disciplinar, que também produza conhecimento. E que a escola possa inspirar em vários lugares, em todos os cantos desse país ou fora dele, projetos como esse, de mudar a vida das pessoas, de mudar a ciência […] Porque se a nossa luta é por igualdade de gênero, na ciência na academia, que são lugares extremamente machistas […], nós precisamos dar o primeiro passo.”

indicações d’as pensadoras

Curtiu a proposta da Escola As Pensadoras? Já ficou com vontade de fazer algum curso? Então já acompanhe o projeto nas redes sociais! Rita ainda destaca algumas indicações da Escla para quem gostaria de adentrar no universo feminista. 

“Toda terça-feira, nas nossas redes, nós indicamos filmes, livros, dossiês que tem conteúdo teórico feminista ou feminista teórico. […] E também [gostaria de] indicar nossa livraria. A nossa livraria tem tem textos, livros, de conteúdo feminista, teórico, teórico feminista,[…] e a gente também está lançando o primeiro volume da coleção As Pensadoras, que é um marco importantíssimo pro Brasil e pra comunidade teórica do Brasil.” 

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