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Exclusiva: Jenna Evans Welch, autora de “Amor & Gelato”, fala sobre seu novo lançamento e dá conselho amoroso!

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Exclusiva: Jenna Evans Welch, autora de "Amor & Gelato", fala sobre seu novo lançamento e dá conselho amoroso!
Rawpixel/Divulgação

Jenna Evans Welch sempre foi uma leitora voraz e, no auge dos seus 7 anos de idade já tinha uma certeza: iria se tornar escritora quando crescesse. Dito e feito. Com os livros Amor & Gelato e agora com seu mais novo lançamento, Amor & Sorte, publicados no Brasil pela Editora Intrínseca, Jenna entrou para a lista de best-sellers do New York Times.

Para falar mais sobre o segundo livro da série Amor &, Jenna bateu um papo com a todateen, comentando diversos aspectos não só da produção, mas da história em si. A autora também revelou quais são seus próximos passos e deu um conselho super especial para quem está com o coração partido!

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Confira!

Quando você realmente decidiu que gostaria de se tornar uma escritora?

Eu consigo me lembrar de ter 7 anos de idade e já querer ser escritora. Desde que eu descobri os livros eu me apaixonei, e eu só lia e lia. Eu decidi que eu queria escrever para adolescentes quando eu tinha 11 anos. E… agora eu tenho 34 anos e quando eu era mais nova, realmente não existiam uma boa variedade de livros no mercado do gênero Young Adult [jovens adultos]. E eu lembro que eu li tudo na biblioteca das crianças e eu lembro de ficar animada para procurar os livros que eram para adolescentes. Eu queria livros que eram pra um pessoal um pouco mais velho, mas que ainda fossem divertidos e tivessem um pouquinho de relacionamentos e beijos. E eu lembro de ir pra biblioteca e tinha tipo uma prateleira. E todos os livros eram sobre líderes de torcida e eu não fiquei impressionada. Eu fiquei tão desapontada e eu lembro de falar pra minha mãe “eu vou escrever os livros que eu gostariam que estivessem lá”. E eu só fui para a seção dos adultos e comecei a ler coisas que, honestamente, eram maduras demais para mim, mas ainda assim fico feliz de ter lido todas as coisas que eu li. Mas eu estaria no céu se eu tivesse sido uma adolescente nos dias de hoje.

E de onde você tirou inspiração para escrever “Amor & Gelato”, e agora “Amor & Sorte”?

Então, “Amor & Gelato”… eu fiz o ensino médio em Florença, na Itália. Eu fui para aquela escola que eles citam no livro e eu realmente não baseei nenhum dos personagens em alguém que eu conheci em particular. Mas eu tive algumas inspirações. Exceto uma personagem e… uma ideia! Eu tinha uma amiga que morava em um cemitério americano, bem perto de Florença. E ela praticava corrida, e ela corria por entre as lápides. E eu lembro de pensar “isso é um cenário tão legal para um livro”. Então eu carreguei essa ideia comigo por um bom tempo.

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E falando agora de “Amor & Sorte”. Eu soube desde o início que eu queria escrever sobre a Addie. Ela simplesmente… na verdade eu acho que nada sobre escrever “Amor & Gelato” foi fácil para mim, com exceção da Addie. Ela só apareceu e ela foi tão fácil e divertida. E eu acho que ela tem meio que essa ousadia que eu sempre desejei ter – especialmente quando adolescente. Então eu sabia que queria escrever sobre ela e… é engraçado porque eu acho que a primeira inspiração veio porque… bom, eu costumava dirigir até a casa dos meus pais e tinha esse pequeno carrinho quebrado no meu caminho. E eu costumava pensar que deveria ter uma história. E meio que se tornou na história dela e do irmão dela. No começo eu ia narrar a história se passando nos Estados Unidos, foi meu editor que sugeriu Europa de novo. E imediatamente eu soube que eu queria que fosse na Irlanda. Eu amo a Irlanda! Isso foi divertido!

Você chegou a ir para a Irlanda para escrever o livro? Fazer uma pesquisa de campo?

Sim! Na verdade eu fiz a viagem de carro mais doida de todas para fazer essa pesquisa! Eu tinha acabado de ter um bebê e minha editora tinha acabado de fazer a sugestão “e se meninas no exterior for a sua praia?”. E logo que ele disse isso eu senti esses arrepios nos meus braços e eu fiquei tipo “sim, essa é a minha praia!”. Então eu tive que descobrir como eu ia conseguir ver o máximo possível da Irlanda, sem deixar meu bebê por muito tempo. Então eu pedi para a minha melhor amiga, eu liguei pra ela e falei “você quer ir para a Irlanda comigo na semana que vem?“. E ela ficou tipo “Ah… tabom!”. Nós fizemos uma viagem de carro e a gente teve 72 horas. Começamos na costa oeste e dirigimos para a costa leste. E foi tão… foi realmente rápido. Tipo, a gente pegava o nosso guia e ele dizia algo como “passe três dias na Península de Dingle” e eu ficava tipo “nós temos três horas! vamos ver tudo!”. Então foi bem parecido com a história mesmo, eu me diverti demais conhecendo a Irlanda. É muito mágico.

Você se inspirou na sua própria viagem para narrar a da Addie?

Sim! Especialmente nas partes que falam da mãe dela, que está tendo muitas dificuldades para dirigir e fica xingando o tempo todo. Aquela fui eu a viagem toda. Minha amiga teve que assumir porque eu tava sofrendo muito de ter que dirigir no lado oposto da estrada e ainda ter que ir imaginando a história. E a gente viu tudo que está no livro.

Vocês chegaram a ver o anel de fadas?

Sim! Os anéis de fada! Eu tenho que dizer que o anel de fadas do livro eu coloquei em um lugar diferente do que realmente é. Embora tenham vários. E uma leitora entrou em contato comigo e me disse que ela achou usando o meu livro e eu fiquei tipo “Oh!”. Acho então que tinha um no lugar que eu coloquei e isso meio que me deixa arrepiada. E no anel de fadas, eu não consegui chegar até o centro dele porque estava trancado. Mas era esse lugar verde, lindo e admirável, que junto da luz do sol entrando deixou tudo muito mágico. Foi lindo.

Outro destaque é o guia de viagem “Irlanda para corações partidos”. Como foi pra você escrever o guia?

Em “Amor & Gelato” eu tinha o diário da mãe como algo que fazia a história seguir em frente e eu gostei muito de escrever daquela maneira. Então eu basicamente inventei uma forma de fazer aquilo de novo. Porque é tão importante pra mim curtir e me divertir enquanto eu escrevo. E aí eu pensei “talvez eu devesse fazer algum guia ou algo do tipo pra transmitir algumas coisas mais sérias”, e aí eu achei essa voz divertida e eu pensei… na verdade eu gostaria de lembrar de onde é que veio a ideia do coração partido, mas tudo meio que apareceu pra mim. E eu sinto que esse estilo de escrita é muito verdadeiro e está totalmente em consonância com a minha própria voz, então foi muito fácil e divertido escrever essas partes. Muitas pessoas me perguntaram se era um livro de verdade! Eu até pensei se eu não devesse escrever um pouco mais e publicar.

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Qual foi a cena que você mais gostou de escrever?

Eu acho que a cena da cerimônia da rainha Maeve. Eles chegaram no festival e os amigos dela estão construindo, engrandecendo ela, certo? E aí uma das primeiras coisas que eu escrevi dessa cena no livro foi quando a Lina está falando sobre como a Addie estava lá pra ela quando sua mãe estava morrendo. E como foi pra Addie quando ela recebeu a ligação e correu descalça pelo hospital e as enfermeiras estavam tentando pará-la. Quando eu escrevi isso eu estava chorando tanto!

Eu estava, na verdade, pensando em uma amiga minha que perdeu a mãe e em como eu me senti desamparada. Sobre o quanto eu queria ajudá-la e às vezes querendo com que ela ficasse sabendo que eu iria chegar até ela o mais rápido possível. Essa foi a cena que eu mais gostei.

E qual foi a cena mais difícil pra você escrever?

Honestamente, muito desse livro foi difícil de escrever. Eu tive muita dificuldade de descobrir como encerrar a história. Basicamente, quando o carro quebra e eles ficam meio que encalhados. Bem na parte em que o segredo da Addie vem à tona, eu tive dificuldade de entender como eu iria entregar e explicar o que tinha acontecido com ela.

Sobre a personalidade da Addie. Eu simplesmente a amo então eu queria saber o que você mais gosta nela?

Eu amo o quanto ela é ousada e eu amo o quão leal ela é. Eu acho que lealdade era a principal característica que eu queria que ela tivesse. Ela é alguém que faria qualquer coisa pelas pessoas que ela ama. E para alguém como ela, que é tão leal, o fato de ter sido traída foi terrível demais. Então eu acho que o que eu mais amo nela é a lealdade dela e o comprometimento dela com os amigos e irmãos.

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O Rowan também é um personagem incrível. E ver ele, Addie e Ian interagindo é incrível. Como foi pra você escrever essas cenas?

Eu amei escrever as cenas dos três juntos, eu amei o Rowan. Eu tinha a intenção de não tornar ele o cavaleiro da armadura reluzente para resgatar ela [Addie]. Eu acho que, você sabe… muitas pessoas acharam que ia ser muito parecido com o primeiro livro [“Amor & Gelato”] e que teria um grande romance. E eu queria que houvesse uma possibilidade de tudo isso, mas eu realmente queria que a Addie salvasse a si mesma. Sabe? Para ela perceber sua própria força interna. Então eu senti o Rowan como um bônus muito divertido. Alguém que a gente gostaria de passar tempo junto, né? Eu me diverti muito escrevendo sobre eles.

E de onde veio a ideia para a rainha Maeve? Como você entrou em contato com ela?

Antes de eu ir para a minha viagem, um amigo de um amigo, que tinha passado um tempo na Irlanda, sentou comigo e ele estava me falando sobre todos os lugares que ele mais tinha amado – a maioria deles eu nem cheguei a ir porque eles eram mais ao norte da Irlanda. E ele me falou sobre a tumba da rainha Maeve. E eu lembro de achar aquilo tão interessante! E aí quanto mais eu eu comecei a pesquisar, mais eu conseguia ver quanto ela tinha a ver com a minha personagem. Com essa veracidade e eu amo essa personagem feminina forte irlandesa e eu realmente queria deixar ela lá o máximo possível.

Como foi pra você entrar em contato com a Lina e com o Ren de novo em “Amor & Sorte”?

Foi muito legal e foi divertido eles serem mais secundários. Eu lembro de ter realmente sentido que eu tinha dito adeus à eles, quando eu acabei de escrever “Amor & Gelato”. E eu fiquei “Ok, aí vão eles! Espero que as pessoas gostem de vocês!”. Então foi legal vê-los por um momento. Eu não senti que eles eram totalmente imprescindíveis para a história enquanto eu estava escrevendo. Então eu não sei, foi tipo uma coisa muito engraçada ver como o meu foco estava em outro lugar.

Eu não consigo contar a quantidade de e-mails que eu recebi perguntando se eu ia escrever sobre eles novamente. Então eu fiquei “espero que essa aparição tenha sido suficiente”.

E qual é o seu maior objetivo com as suas histórias? O que você quer que as pessoas sintam enquanto elas leem seus livros?

Ok… essa pode ser uma metáfora engraçada. Mas é realmente o que eu penso. Eu quero que os meus livros tenham gosto de cupcake, ou seja, eu quero que eles sejam doces e divertidos e tão deliciosos que você só quer devorá-los. Mas eu também quero que eles tenham os nutrientes necessários, sabe? Então o que eu quero dizer com isso é que eu quero algo que, talvez, você curta e goste demais, mas que você também saia com algo importante.

Eu realmente me sinto honrada de estar escrevendo para adolescentes e eu levo muito a sério. Eu quero dizer a eles coisas que eu gostaria de ter ouvido na idade deles e eu quero explorar assuntos que são importantes para eles. Eu me importo muito em explorar dinâmicas familiares e eu acho que, especialmente nessa idade, em que os meus personagens têm entre 16 e 17 anos, é quando os jovens estão começando a tentar entender quem eles querem ser. E perceber que eles têm o controle de suas próprias vidas. E eu acho que isso é um momento tão importante para as pessoas, então eu quero minhas histórias sejam divertidas e quero que eles saiam dela levando algo que possa ajudá-los.

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Se você pudesse dar um conselho para alguém que está de coração partido, o que você diria?

Essa é uma pergunta ótima! Eu acho que a última entrada do último capítulo de “Amor & Sorte” é realmente o meu conselho. Resumindo ele, basicamente, nós somos feitos para termos os nossos corações partidos. E eu não quero soar piegas ou clichê, mas vale a pena se arriscar para amar e ser amado. Vale a pena tentar se conectar com as pessoas e a gente vai se machucar, mas a outra opção é nunca se abrir. E isso, ao meu ver, é mais dolorido. E eu acho que cada uma dessas dores vão moldar você para que se torne quem você quer ser.

Você gostaria de ver seus filmes nas telonas?

Sim! Eu só estou dizendo sim para essa pergunta para que o universo saiba que eu estou preparada. Estou preparada! Eu acho que seria tão legal e divertido, e só de pensar em ver minhas personagens e assisti-las, me dá arrepios todas as vezes que eu penso nisso! Eu acho que eles fariam séries ou filmes muito legais!

E, sobre o futuro! Você já tem mais coisas vindo por aí? Quais são os seus planos?

Eu até estou com o meu quadro aqui exposto porque eu estou divulgando isso bastante aqui [nos Estados Unidos]. “Love & Olives” [o 3º livro da série “Love And”, ainda sem nome em português] vai ser lançado no mês que vem nos EUA e é o terceiro e final livro da trilogia. E acabou de ser comprado no Brasil! Então… eu ainda não tenho nenhuma data oficial acho que eu ainda terei mais informação, mas imagino que talvez daqui um ano ele esteja disponível aí. E vai ser incrível.

Além disso, eu estou trabalhando em algo fora da trilogia “Love And” e é um livro único. Ou pelo eu acho que é um livro único. Eu achei que “Amor & Gelato” ia ser um livro único também, então quem sabe. Mas é bem diferente desses três últimos livros e eu estou me divertindo muito escrevendo.

Quer deixar um recadinho para os seus fãs brasileiros?

Eu amo meus fãs brasileiros! Eu amo o entusiasmo deles! Eu fico tão animada com a ideia de todos esses leitores em um lugar que eu nunca tive a oportunidade de ir. Espero que eu possa visitar algum dia!


Os livros Amor & Gelato e Amor & Sorte podem ser adquiridos na Amazon e no site oficial da Intrínseca.

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#StopAsianHate: entenda como a xenofobia se conecta com a política internacional

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#StopAsianHate: entenda como a xenofobia se conecta com a política internacional
Dia Dipasupil/Getty Images; Reprodução/TSE

O dia 19 de março de 2020 marcou o início formal do isolamento social, por conta da pandemia do coronavírus, em diversos países. Deste dia até 28 de fevereiro de 2021 foram registrados 3.795 relatos de discursos racistas e atos violentos contra asiáticos nos Estados Unidos, segundo a organização Stop AAPI Hate (Stop Asian American and Pacific Islander Hate). Cerca de 35,4% dos casos ocorreram no trabalho, 25,3% na rua e 10,8% online. Agressão verbal foi relatada em 68,1%, 20,5% contou com rejeição social e 11,1% agressão física.

Recentemente, em março, uma senhora chinesa de 76 anos residente de São Francisco disse às autoridades que um homem, sem motivo aparente, tentou lhe agredir enquanto atravessava a rua. Sem ter o que fazer, ela tentou se defender do agressor com uma bengala de madeira. Segundo informações divulgadas à imprensa, a polícia local no momento da notificação investigava um crime semelhante, que havia ocorrido dias antes com um idoso de raízes asiáticas. Entretanto, o caso que desembocou o ápice de manifestações em prol da hashtag #StopAsianHate, ocorreu no dia 16 do mesmo mês, na cidade de Atlanta. Robert Aaron Long, um homem branco de 21 anos, matou oito pessoas de uma casa de massagem, seis eram mulheres asiáticas.

Em São Paulo, o Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina) criou uma central de denúncias para reunir relatos de assédio à comunidade asiático-brasileira em todo o Brasil. O nome do canal é #RacismoNão e as denúncias são feitas através do e-mail racismonao@ibrachina.com.br, dando o nome da vítima, lugar e horário da agressão. Em maio já haviam cerca de 200 denúncias, fora os ataques virtuais xenofóbicos que o próprio instituto recebe em suas redes.

Como nós, da todateenjá refletimos na matéria “#StopAsianHate: como pessoas amarelas encaram o preconceito?”, falas hostis direcionadas às pessoas de raízes asiáticas não começaram na pandemia. Assim como nos Estados Unidos, estereótipos relacionados aos imigrantes e brasileiros com família descendente de países da Ásia existem há muito tempo, indo desde comentários pejorativos sobre características físicas à fetichização das mulheres e violência.

O que ocorreu durante a pandemia foi que os estereótipos já existentes, principalmente em relação aos chineses, foram reforçados por conta de um fenômeno político: a culpabilização do país pela pandemia, informação que é falsa, mas dita, nas entrelinhas ou não, por diversas figuras de influência, como os políticos brasileiros.

“Nós vivemos em sociedade. Essa é uma afirmação crucial para entender as dinâmicas das relações entre os seres humanos, não há como separar por completo política e economia do dia a dia dos cidadãos ‘comuns’. Ou seja, quando temos uma população bombardeada com informações falsas, como ‘a China quer espionar nossa vida’ ou ‘o vírus chinês que é responsável pela pandemia’, cria-se no subconsciente da população uma imagem negativa deste povo, lembrando que muitas vezes as informações chegam em pequenas parcelas e distorcidas para grande parte da sociedade”, é o que diz Sabrina Bomtempo, cientista política pela Universidade de Brasília (UnB), associada ao Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC), consultora política e pesquisadora na BaseLab.

Em entrevista exclusiva para o site, Bomtempo comentou sobre como o aumento da violência com pessoas amarelas, dentro e fora do país, tem mais relação direta com política do que você imagina. Quer ver?

Brasil & China uma relação de negócios

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso as relações Brasil-China começaram a se fortalecer, com uma expansão significativa nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Quando Michel Temer assume a presidência da república essa relação se mantém firme, com amplas conversas entre os países para, inclusive, importação da tecnologia 5G. 

É importante compreender que a relação entre os dois países envolve trocas comerciais e investimentos. O Brasil exporta principalmente produtos primários para a China (soja, carne, petróleo etc.) e importa bens de consumo (eletrônicos, equipamentos de telecomunicação, medicamentos, etc.), ao passo que a China também investe no Brasil por meio da aquisição de empresas e implementação de novos projetos. Os setores que recebem maiores investimentos e financiamentos chineses são os de energia, petróleo, gás e mineração.

A partir desta contextualização, temos uma relação econômica com a China onde ela é a principal importadora brasileira, com uma demanda que continuamente aumenta, justamente porque o país está em crescimento contínuo. Desse modo, há uma necessidade de não perder este “cliente” e, portanto, discute-se a importância de diversificar o leque de países que importam quantidade significativa de produtos brasileiros. Em síntese: o Brasil tem a China como seu principal cliente no comércio exterior, com quase 30% da receita do país, tornando-a uma nação essencial para a manutenção da saúde financeira do Brasil.

se o Brasil depende tanto da China, por que Bolsonaro desgasta a relação?

Sob o ponto de vista econômico, não há interesse em se afastar do principal importador de matéria-prima do país. Os comentários que Bolsonaro e sua “turma” fazem da China dizem respeito, em grande maioria, a um posicionamento ideológico, no qual veem a China como um país comunista que estaria tendo vantagens comerciais devido à relação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista Chinês.

Além disso, também se dá em um contexto no qual Bolsonaro, antes e logo após eleito, busca aproximação constante dos Estados Unidos da América, principal rival comercial da China no contexto internacional e na época chefiado pelo ídolo de Bolsonaro, Donald Trump.

quais os interesses de Trump em uma rivalidade com a China?

A China e os EUA são as duas maiores potências mundiais, claro que isto já gerava alguma tensão entre os países antes da entrada de Donald Trump em 2016, no entanto, até se especulava a possibilidade de um bloco EUA-China. Ao assumir o governo estadunidense, Trump acreditou que poderia frear o desenvolvimento econômico da China por meio de sanções e taxas sobre produtos chineses, principalmente voltadas a área de tecnologia, o objetivo era acabar com o déficit comercial na relação EUA-China. Para ser mais didática, os Estados Unidos colocam mais dinheiro na China do que a China nos EUA, a ideia era mudar esta dinâmica.

Um exemplo dessa disputa e sanção dos EUA e China diz respeito à tecnologia 5G, que é liderada pela empresa chinesa Huawei, que foi acusada de usar seus equipamentos para espionagem; hoje a Huawei não é comercializada nos Estados Unidos e o país tenta baní-la de outras nações, com ameaças de sanções comerciais à elas.

por que nada mudou com Biden?

Uma das principais expectativas após a eleição de Biden era de que os Estados Unidos passasse a ter um papel mais conciliador em meio à rivalidade com a China. Entretanto, na primeira tour de políticos do governo Biden ao continente, o clima não foi de resolução de conflitos.

A China se encontra em um clima de rivalidade com o Japão, causado principalmente por uma nova lei de Pequim, que permite à Guarda Costeira do país atirar em navios estrangeiros, bem como repetidas investidas da China nas águas territoriais japonesas em torno das ilhas Senkaku, no Mar do Sul da China, e à instalação de sistemas antimísseis. Recentemente, políticos do governo Biden compareceram a uma série de eventos em uma tour pelo continente. O clima foi de muita tensão e provocações, justamente em março, quando ocorreram tantos registros marcantes de violência contra asiáticos nos Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, tomou a palavra para citar queixas e reclamar de que, na véspera da reunião, Washington impôs sanções contra 24 funcionários dos governos central chinês e de Hong Kong. “Não é assim que se deve dar as boas-vindas aos convidados, e nos perguntamos se os Estados Unidos tomaram essa decisão para tentar obter alguma vantagem em sua interação com a China, mas certamente é um erro de cálculo, que só reflete a vulnerabilidade e fraqueza dentro dos Estados Unidos”, disse o político.

Ao longo da última semana, as Filipinas se queixaram da presença de uma milícia chinesa no recife de Whitsun, no mar do Sul da China. A explicação para isso está no fato de a China considerar que 85% daquelas águas territoriais seriam suas, portanto, militarizar essas regiões é parte de uma estratégia de ocupação desde 2014. Entretanto, Pequim afirma que os barcos presentes na região são apenas pesqueiros.

No domingo de Páscoa (4), um dos 11 porta-aviões nucleares dos Estados Unidos, o USS Theodore Roosevelt, entrou na região. Poucas horas antes, ainda no sábado (3), um porta-avião da China, o Liaoning, fez uma travessia no estreito de Miyako, onde ficam as ilhas Senkaku — que são desabitadas mas têm potenciais reservas de petróleo, e por ora são controladas pelo Japão.

“A tensão comercial entre os dois países se mantém e Biden não mostra pretensão de abandonar a política de disputa comercial e sanções adotadas por Trump. Além disso, o presidente americano tem feito severas críticas ao modelo trabalhista chinês, acusando-o de violação dos direitos humanos. O recente encontro entre representantes oficiais dos dois países foi marcado por comentários ariscos de ambas às partes em frente a TV, um comportamento incomum no mundo diplomático e que, portanto, mostra como estas tensões seguem presentes na relação EUA-China”, finaliza Bomtempo.

e o Brasil, mudou de ideia?

Apesar de Jair Bolsonaro, seu filho Eduardo Bolsonaro, o ex Ministro da educação Abraham Weintraub, bem como o ex Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já terem feito comentários pejorativos em relação à China, o fato é que a Coronavac, vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac, é a vacina utilizada em 82,2% das doses aplicadas no país, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, apurados em 5 de abril deste ano.

A necessidade de obter doses da Coronavac motivou uma mudança, relatada por jornalistas da cobertura política, da postura de Bolsonaro diante do governo chinês. O presidente recorreu ao governo em Pequim para obter novos ingredientes de vacinas. Quando as autoridades chinesas anunciaram novos suprimentos, Bolsonaro lhes agradeceu pela boa cooperação.

Acontece que, diante de tantas falas problemáticas há meses atrás, nada vem de graça. Diversos veículos de comunicação notaram que o ocorrido foi seguido por uma repentina declaração da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sem objeções ao envolvimento do país com a Huawei, empresa chinesa que visa o acesso irrestrito para implementar o 5G no Brasil. Chocante essa permissão em um governo bolsonarista, não é mesmo? Afinal, desde Trump, ídolo de Bolsonaro, ocorrem acusações de que a empresa visa usar a tecnologia com fins de espionagem.

No fim do dia, apesar de fundarem ideologias de ódio, os acordos econômicos superam qualquer coisa. Entretanto, a raiva uma vez disseminada na massa, mesmo que para alimentar objetivos políticos, não para. E mata.

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Queridinhos de papelaria: 10 itens para ter e usar na sua rotina de estudos

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Reprodução/Amazon

 

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Última Página | Ainda é hoje

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Ainda é hoje
Thais Menezes/@thamenezes.s

texto por Isabelle Costa (@avalancheliteraria)
ilustrações por Thais Menezes (@thamenezes.s)

 

O vídeo favorito do meu rolo de câmera desse ano é um em que tô dançando na chuva de jeans e sandália lilás.

Era pra ser um meu e dos meus amigos na sala do Henrique — que, palavras dele, tem a casa mais legal do bairro. Rindo de qualquer besteira. Lembrando histórias de beijos ruins, mas sobretudo dos bons, e que deixaram de existir. Esparramados no tapete, que transforma a casa num lar, e dividindo sem medo e por preguiça uma colher de brigadeiro. Criando memórias novas pra sobrepor as desse tempo, que são memórias de dor.

Eu já sabia que ia chover — a gente sempre sabe, porque as nuvens dão o primeiro sinal, e o dia muda de cor —, mas abri o portão e saí. Pensei neles. Nos meus amigos. Cada um no seu canto, onde sempre fiz festa sem a menor cerimônia. Pensei neles e dancei sozinha no meio do asfalto com quatro ou cinco livros na mão sob a desculpa que era pela foto. Pelo blog. Pelos livros. Mas não era, não. Era por mim, que cansei de sentir saudade.

Quinze segundos no meio do nada pra espantar a tristeza que chega, sorrateira, tão sutil quanto um céu de sol se transformando num céu de chuva. Girando ao meu redor: meus porquês não resolvidos, a conclusão de que perde a graça por a roupa mais bonita se ninguém vai ver, e eu, que sempre fui indecisa, mais certa do que nunca sobre o que quero.

Eu quero a praia vermelha. Quero vocês, shows da Anavitória no verão, noite de jogos que gosto mais agora, que são só lembrança-borrão. E gente feliz de verdade de novo.

Eu quero o futuro, mas ainda é hoje.

Ainda é hoje

Thais Menezes/@thamenezes.s


Isabelle Costa 

Fala de livros, escrita, criatividade e inspiração na Avalanche Literária, e desembola os fios soltos em seu blog na internet.

Instagram: instagram.com/avalancheliteraria
Blog: www.avalancheliteraria.com.br

Thais Menezes

Preta, baiana, ilustradora e designer.

Instagram: instagram.com/thamenezes.s
Behance: www.behance.net/thaismenezes

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