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Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Confira o depoimento de estudantes que adoraram fazer intercâmbio!

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Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Fazer intercâmbio é uma ótima aposta para quem quer se tornar fluente em inglês ou espanhol. Além de aprender com os próprios nativos, você ainda conhece novas culturas, novos locais e se diverte muuito! A tt conversou com algumas pessoas que já fizeram intercâmbio e contam porque essa experiência é tão inesquecível.

RENAN SIMÃO – Intercâmbio em Sevilha, Espanha

Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Foto: Renan Simão/Arquivo Pessoal

“Sevilha era o destino oferecido pelo edital de bolsas da faculdade. Tive as opções de Portugal e Espanha, mas escolhi Sevilha para poder aprender uma língua que não conhecia. O começo do intercâmbio é ao mesmo tempo muito difícil e prazeroso. Lembro de não entender NADA do espanhol andaluz dos nativos (a pronúncia é bem diferente da de Madrid, por exemplo). Sentia dificuldades de me comunicar, mas consegui me virar. Conheci amigos estrangeiros de todo o mundo que estavam na mesma situação que eu e comecei a me divertir. Com o tempo, percebi minha evolução na língua e isso é muito legal.

Lembro de dar mais valor aos amigos. No intercâmbio, você conhece muita gente e, por alguma razão, os laços ficam muito fortes. Morei com um italiano (Guido), uma alemã (Carmen) e uma brasileira (Marina). Conheci gente de toda a Europa ali, os tais dos Erasmus, do programa europeu de intercâmbio. Tenho muita saudade deles.

Foi ali que dei uma guinada na minha carreira. Estudei audiovisual mais a fundo pela primeira vez, participei de um curta-metragem e conheci gente que só queria trabalhar com isso. Foi um estímulo muito legal a querer estudar cinema.

Foi lá também que tive uma atenção à qualidade de vida. Comprei uma bicicleta (faça isso quando morar fora ou sempre que puder) e aproveitei a cidade ao máximo pedalando. Minhas manhãs passando ao lado do rio Guadalquivir são inesquecíveis. Me alimentava bem (jamón, salmorejo, paella, salada, só coisas deliciosas), conhecia a cidade com os meus amigos e viajava. Tudo isso acrescenta à experiência do intercâmbio.

Outra coisa: viajar é revelador. Se for sozinho, é mais ainda. Você se descobre em outros países e, claro, pode fazer o que todos os seus amigos querem fazer. Mas você realmente quer ir para tal balada ou ir a um museu, quer conhecer Paris (caro) ou 5 países do Leste Europeu (barato)? Cada um tem a sua escolha. Eu levo pra vida que, se precisar ir sozinho fazer/ver/curtir algo que eu quero muito, eu vou. Ninguém vai te ajudar – você pode demorar pra perceber, mas isso é ótimo. Só digo que foi um dos semestres mais inesquecíveis da minha vida.”

DANIELE SERIDÓRIO – Intercâmbio em Londres, Inglaterra e Salamanca, Espanha

Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Foto: Daniele Seridório/Arquivo Pessoal

“Quando eu decidi que queria fazer curso de inglês fora do país, pensei em ir para Nova Iorque, mas além do inglês, eu também queria fazer algum curso, porque algumas escolas oferecem a opção de aula de inglês de manhã e outros cursos extras no período da tarde. E os cursos de Nova Iorque na minha área eram muuuito caros. Então conversei com a minha irmã que tinha ido para Londres dois anos antes e ela fez minha cabeça. Em Londres encontrei um curso de inglês de manhã com aula de fotografia às terças e quintas à tarde. Então, em julho de 2012 fui para Londres fazer o curso e fiquei lá por 5 semanas, 4 fazendo o curso e 1 semana viajando. Ainda bem que minha irmã me convenceu, porque eu me apaixonei pela cidade!

Em 2013 eu não escolhi o país, porque fiz intercâmbio com bolsa. Mas naquele ano eu tinha começado a fazer curso de espanhol, então comecei a procurar cursos de espanhol fora do país para fazer depois. Logo que comecei a procurar, encontrei um edital de um banco na minha universidade e me inscrevi. Eles escolheriam 4 estudantes para uma bolsa de estudos de três semanas em Salamanca, na Espanha. Deu certo.

Eu me adaptei bem nas duas vezes. O mais difícil na Espanha foi tentar falar espanhol, porque fomos em um grupo de muitos brasileiros (acho que uns 60). Mas como Salamanca é uma cidade pequena, eu fazia tudo a pé e não tinha preocupação com alimentação, já que comia todo dia no restaurante do alojamento. Então foi muito mais tranquilo. Em Londres foi aquela experiência de intercâmbio mesmo, de me ver sozinha em outro país na casa de outra família que tem 3 filhos. Na segunda semana que eu estava lá, a mãe me disse que eles iam para Índia e iam ficar 6 semanas (eu ia ficar mais 3 na casa deles), mas que a irmã dela ia ficar lá comigo caso eu precisasse de alguma coisa. A irmã nunca apareceu e eu estava achando ótimo, porque tinha uma casa só pra mim em Londres! Mas aí eu comecei a precisar de ajuda, não sabia usar a máquina de lavar, não sabia onde ficavam as coisas da casa e um dia um cara me seguiu do ponto de ônibus até a porta da casa e não tinha ninguém lá dentro, já era bem tarde e a rua estava deserta. Então apesar de estar gostando, achei que precisaria encontrar essa irmã. Tentei com a ajuda da escola e nada, mas um ou dois dias depois o pai voltou da Índia com a filha mais nova – de uns 3 anos – porque ela não tinha se acostumado com o país. Então o perrengue foi mais pela diferença de tamanho das cidades. Londres é maravilhosa, mas não é lá tão segura…Já Salamanca eu podia voltar às 3 horas da manhã a pé e encontraria famílias passeando.

O que eu mais gostei do intercâmbio é realmente desligar um pouco da sua vida e ir para um lugar diferente, com cultura diferente e pessoas que você nunca conheceria ou conviveria se não tivesse essa oportunidade. Como fui sozinha as duas vezes eu saí da zona de conforto. Além disso, quando você vai fazer um curso fora, você conhece a cidade com outros olhos, porque tem uma rotina de estudante. Em Londres era uma correria, eu almoçava no ônibus com as minhas amigas e íamos para uma área da cidade ter aula de fotografia que não era local turístico, mas ainda assim muito bonito e com alguns parques. Em Salamanca, por ser uma cidade de estudantes, a universidade oferece passeios nos finais da semana e os guias são os alunos de artes ou arquitetura que sabem MUITO sobre a história da Espanha.

O que mais aprendi nessa experiência foi ficar sozinha e tranquila com isso. De abrir a cabeça para coisas diferentes e descobrir tudo por mim mesma. Hoje tenho mais gosto por fazer as coisas por conta própria, dar uma caminhada na cidade, tirar uma tarde para ir ao cinema, às vezes até preciso ficar sozinha por um tempo e me desligar de todo mundo. Eu recomendo a todos que puderem e quiserem.

DEBORA PAVAN – Intercâmbio em Vancouver, Canadá

Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Foto: Debora Pavan/Arquivo Pessoal

“Vancouver é uma cidade linda, lotada de turistas. Com relação à escolha, eu fui influenciada por uma prima minha que é dona de uma escola de inglês em Araraquara e vai praticamente todo ano para lá. Ela sempre dizia que Vancouver era uma cidade maravilhosa, muito organizada, limpa e repleta de atrações. Então, eu resolvi conhecer de perto esse lugar tão belo.

O começo sempre é um pouco difícil. Você demora para se acostumar com a língua. A cabeça chega a ficar cansada no final do dia, rs. Mas é questão de uma semana para se acostumar. Com relação à cidade, Vancouver é muito organizada, então foi superfácil me locomover lá. Agora o mais difícil, definitivamente, é a parte da comida. É muito diferente daqui do Brasil. Eu fiquei na casa de uma senhora filipina, então era carne de porco quase todo santo dia. Quando eu queria comer alguma coisa diferente, eu somente avisava que não ia jantar em casa e ia para um restaurante.

Mas o intercâmbio é uma experiência maravilhosa. Ele abre a cabeça, pois você conhece novas pessoas, novas culturas totalmente diferentes da sua. Além de poder aprimorar o conhecimento em uma segunda língua, que no meu caso foi o inglês. Nesse ponto, o contato direto e diário com o idioma faz você se soltar e perder aquele medo na hora de falar. Eu recomendo muito.”

KELLI FRANCO – Intercâmbio em Dublin, Irlanda

Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Foto: Kelli Franco/Arquivo Pessoal

“Morei aproximadamente 1 ano em Dublin, capital da Irlanda, e agora moro em Cork, no sul do país. Escolhi a Irlanda porque era o país que cabia no bolso, e aqui ainda há a possibilidade de trabalhar legalmente pra ajudar a pagar as contas.

O começo é complicado porque por mais que você pesquise antes, tem muita coisa que você tem que fazer (abrir conta em banco, comprovar renda, tirar visto, etc.) que você vai acabar fazendo da maneira errada e tendo problemas depois. Então é meio estressante no começo. Tive dificuldade com grana também, porque no começo você não conhece nada e é complicado arrumar emprego. Além disso, as oportunidades de trabalho melhoram de acordo com seu inglês e seu inglês melhora só com o tempo. O frio também foi muito complicado, fiquei doente porque não estava acostumada. Aqui chove muito e quase nunca faz sol, e isso pode ser meio depressivo, principalmente no começo.

O intercâmbio é muito importante. Conviver com pessoas de diferentes países e diferentes culturas me fez perceber que há coisas extremamente diferentes, mas que, no fundo, todo mundo é igual. Se você for inteligente o suficiente para prestar atenção, vai ver que coisas que você critica no nosso país são iguais ou piores aqui (saúde, por exemplo. No Brasil é bem melhor que na Irlanda). E que, geralmente, todos os países têm problemas e coisas boas, a diferença é o que você prefere divulgar para outras pessoas. Aprendi a experimentar comidas novas, o que sempre odiei antes. Sofri muito no começo porque achava a comida daqui horrorosa e acabava indo só a restaurantes brasileiros. Hoje eu aprendi a apreciar a comida local e não como mais coisas tão salgadas. Sempre vou a restaurantes de outros países. Meu inglês melhorou um milhão por cento, haha, e agora estou aprendendo francês e já pensando em aprender italiano. Conheci pessoas de vários cantos da Europa e até do mundo, o que é fantástico. Recomendaria sim! Acho que todo mundo deveria ter essa experiência na vida, e acho que quem consegue fazer quando ainda é jovem, vai ter muitas oportunidades quando voltar para o Brasil.”

ARTHUR VILARES – Intercâmbio em Londres, Inglaterra

Intercâmbio: quem fez conta porque é tão legal apostar nesta experiência

Foto: Arthur Vilares/Arquivo Pessoal

“Na verdade, eu queria ter ido pra Espanha, mas tinha o problema da língua… No programa que eu fiz, a primeira coisa a ser considerada é o idioma porque você tem que ter uma proficiência mínima para se candidatar, e eu não falo nada de espanhol além de “hola”, hahaha. Quando comecei a pensar em intercâmbio, ainda estava no nível intermediário e por isso tive que decidir entre abandonar o inglês e começar a estudar espanhol do zero, mas com isso correr o risco de não atingir a pontuação mínima e, por consequência, não ir para o intercâmbio. Ou continuar no inglês, que eu não teria problemas com as notas da proficiência, desistir da Espanha e ir para algum lugar que falasse inglês. Acabei escolhendo o caminho mais seguro. Em seguida, tinha que escolher algum dos países que falassem inglês, e o leque era enorme… EUA, Inglaterra, Irlanda(s), Hungria, Austrália, enfim, muitas opções e todas muito tentadoras. Mas decidi pela Inglaterra, primeiro, porque está na Europa, e segundo, porque foi o lugar mais diferente do Brasil que estava na minha lista, e queria me sentir desafiado a morar e ter um ano bom e feliz em um país que está no outro extremo em cultura, comportamento, modo de vida, alimentação…

O começo foi difícil porque eu não era fluente em inglês. Pra ajudar, mesmo fazendo curso de idiomas, o (pouco) inglês que eu falava era essencialmente norte-americano, e ingleses tem um sotaque próprio, que é infernal de entender se você não está acostumado. Eu lembro que cheguei num sábado e já tive aula na segunda-feira, e na primeira aula eu entrei em pânico! Eu só conseguia ler, mas o que era falado, passou batido… Além do problema da língua, tem a cultura que é muito diferente também. Na Inglaterra, tudo é diferente do Brasil, da comida à forma que as pessoas se relacionam, e o “choque cultural” foi grande. Mas, eu sempre soube que estar lá tinha sido escolha minha, que não seria fácil, que era extremamente privilegiado por ter a oportunidade e por isso não admitia ficar triste ou me dar por vencido. Claro, tive meus momentos de chateação (quem não os tem?), mas eram passageiros. No final das contas, eu aprendi a lidar com uma cultura tão diferente e sou muito grato pela experiência e por todos os amigos que fiz.

O intercâmbio mudou a minha vida, ou pelo menos a minha forma de enxergar a vida. Como eu disse há pouco, eu fui pra me sentir desafiado, então eu levava as minhas experiências ao extremo. Eu já fui “tarde” para o intercâmbio, com 24 anos e no último ano da faculdade. Muita coisa que me deslumbrava anos atrás já não tem mais o mesmo efeito. E é bem verdade que tive problemas justamente porque já tinha pensamentos enraizados demais, inclusive na faculdade. Pra ir pra um intercâmbio, você precisa se despir de muitos conceitos e ideais que carrega consigo porque essas coisas só fazem sentido no seu meio, no seu país.

Embora o que muitos dizem, o intercâmbio não é só estudar e estudar e estudar. Aliás, eu nunca achei que a intenção do programa fosse somente o crescimento profissional, mas, principalmente, o crescimento pessoal, e isso vem das experiências diárias e, claro, das viagens. E eu viajei bastante! De todas as viagens que fiz, só em duas eu estive acompanhado, todas as outras eu fiz sozinho. É algo que quase ninguém faz, as pessoas, no geral, confundem ficar sozinho com solidão, mas eu não tinha (nem tenho) esse receio, não, nem vergonha. Viajar sozinho – ou até mesmo ficar sozinho em Londres – me deu a oportunidade de enxergar os lugares e as pessoas que encontrei de outra forma. Quando você está com amigos, fica mais difícil se abrir pro mundo externo. O resultado é que conheci gente do mundo todo e tinha uma independência fenomenal que eu acho que nunca mais terei, hahaha. E viajar é somente conhecer pessoas e ter novas experiências, é também visitar lugares. Eu estive em praticamente todos os museus que achei pela frente, vi alguns dos monumentos e cidades mais importantes na história da humanidade, e isso é tão enriquecedor e faz tão bem pra mente e pro espírito que não tenho como colocar em palavras.

A experiência do intercâmbio é você quem faz, o que significa que se o seu ano lá fora for ruim, a culpa é toda sua, e se for bom, idem. E o meu intercâmbio não foi bom, ele foi esplêndido e me deixou cheio de saudades. Eu não apenas recomendo, como diria que ter uma experiência do gênero é muito importante! Claro que nem todo mundo precisa fazer o louco e aterrissar nas terras da Rainha sem entender direito o que o povo local fala, mas se a oportunidade aparecer, não deixe de ir, de tentar, não se prenda pelo medo. Até porque, quando se está lá, acontece tanta coisa que não dá nem tempo de pensar muito, você simplesmente se deixa levar. E pra alguém que foi sempre controlador como eu, me deixar levar foi de uma liberdade e alegria sem precedentes… E as lições, pessoas, lugares e memórias que eu trouxe comigo vão me acompanhar pra todo o sempre.”

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Última Página | Carta Aberta para Aninha

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Última Página | Carta Aberta para Aninha
Nicole Cardoso/@_niccardoso

texto por Ana Hikari (@_anahikari)
ilustrações por Nicole Cardoso (@_niccardoso)

 

Oi Aninha, aqui é a Ana Hikari, com nossos 26 anos. Sim, agora você usa HIKARI pra se apresentar às pessoas, porque você não tem mais vergonha do seu segundo nome japonês. Surpreendentemente, as pessoas pararam com aquela bobagem de achar que não dá pra pronunciar seu nome direito, então agora você usa seu nome, que significa Luz.

Para além do seu nome, muita coisa mudou na forma de você se apresentar ao mundo. Uma delas é que agora você (ou eu… ou nós) sabe que tá tudo bem falar bem alto sobre a sua vontade de ficar com mulheres. SIM, você leu direito! Você já pode falar em alto e bom tom que você também ama mulheres.

Eu sei, é um pouco difícil de acreditar né? Depois da gente ouvir tantas vezes que era “anormal” mulher que gosta de mulher… Ou depois de ler em vários lugares “qual a maneira ideal de conquistar um garoto”… Depois de ouvir que menina que beijava meninas só estava beijando pra agradar meninos… Ou ouvir que suas amigas não chamariam uma amiga lésbica pra dormir na casa delas… Ou ainda, depois de ouvir que algumas tinham nojo de mulher que beijava mulher.

Aliás, tenho uma coisa pra te contar! Uma dessas meninas que falou essa baboseira de “ter nojo”, você um dia vai encontrar no cinema aos beijos e amassos com: UMA MULHER! Ver essa cena vai ser lindo! Você vai entender que aquela palavra “nojo” dita por ela, talvez tenha sido um jeito de extravasar tudo que ela estava suprimindo em si na época da escola. E que aquilo não tinha nada a ver com você, era sobre ela mesma.

Eu sei, nesse momento aí, com seus 15/16 anos, está difícil de entender que o que falam não é sobre você ou pra te ofender. Eu sei que parece que você está errada, está viajando, está doente… qualquer coisa… mas você não está! Eu te juro! Isso que você sente sobre mulheres não é anormal. Você não é uma aberração, para de acreditar nessa mentira, tá bem?

E tá tudo bem que você esteja ficando com vários meninos e nenhuma menina, por enquanto. O que define quem você é não são as bocas que você tem beijado por aí, mas, sim, como a gente se sente. E a gente sabe bem o que a gente sente, né?

E eu sei também que pra você tem sido mais fácil jogar o jogo que você já sabe as regras: passamos muito tempo aprendendo direitinho as regras heteronormativas de “conquistas” pra ficar com garotos e nenhuma sobre como ficar com garotas. Infelizmente, preciso te dizer que até hoje eu não sei direito as regras pra ficar com garotas, viu? Ainda fico bem nervosa quando tô afim de uma e torço pra ela chegar em mim, porque se depender de nós, Aninha, a gente esquece até do nosso nome na frente das mulheres maravilhosas que conhecemos. Quem sabe a Ana de 36 anos volta pra me dizer que tem sido mais fácil pra ela lá na frente.

Mas eu tenho boas notícias: você está aí no início das suas descobertas sobre sexualidade, mas quando a gente entender que nosso corpo é muito potente pra nos dar prazer e que o nosso próprio corpo é quase um mapa pra entender o prazer de outra mulher, você vai descobrir coisas lindas nas experiências sexuais. E não tem absolutamente nada de promíscuo nem de experimental nisso. Ou seja, não vai ser uma fase, vai ser uma jornada inteira, pro resto da sua vida!

Estou te mandando essa carta pra dizer: Aninha, você não se descobriu bissexual, você só descobriu que o mundo inteiro tem o dever de aceitar você do jeitinho que você é e que o seu jeito de amar é lindo e parecido com o de muitas outras pessoas por aí. Fica tranquila! Vai dar tudo certo e vai ser lindo.

Última Página | Carta Aberta para Aninha

Nicole Cardoso/@_niccardoso


Ana Hikari

Escolhida pela Forbes para a lista 30 under 30 de 2020, a atriz Ana Hikari fez história ao se tornar a primeira protagonista amarela da Rede Globo com a novela “Malhação: Viva a Diferença”, temporada vencedora de um Emmy que voltou ao ar em 2020 e gerou a série “As Five”, trama original da Globoplay na qual as personagens enfrentam dilemas de jovens adultas. Seu próximo projeto é a novela global “Quanto Mais Vida Melhor”, assinada por Mauro Wilson e com estreia prevista para o primeiro semestre de 2021 na faixa das 19h da emissora. Na vida pessoal, Ana utiliza suas redes sociais para combater o preconceito contra pessoas amarelas, além de discutir e conscientizar seu público sobre racismo, homofobia e feminismo.

Instagram: instagram.com/_anahikari/

Nicole Cardoso

Ilustradora e pesquisadora de literatura infantil e juvenil, maternidade e cultura pop.

Instagram: instagram.com/_niccardoso/
Contato: ilustranic@gmail.com

Confira todos os textos da Última Página aqui!

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Capas para almofadas: garanta opções únicas para a sua decoração do quarto

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