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Mito da beleza e obsessão por saúde: a linha tênue entre bem estar e gatilhos de doenças mentais

Mito da beleza e obsessão por saúde: a linha tênue entre bem estar e gatilhos de doenças mentais
Mito da beleza e obsessão por saúde: a linha tênue entre bem estar e gatilhos de doenças mentais

“Perfection is a disease of a nation, pretty hurts” (em tradução literal: “perfeição é a doença de uma nação, a beleza dói”). Beyoncé cantou sobre a obsessão pela beleza em 2013 e a cada dia essa busca se torna cada vez mais inalcançável. O “mito da beleza” é um termo popularizado por Naomi Wolf em 1992 ao publicar um livro feminista de mesmo nome. Segundo a jornalista, o culto à juventude e beleza inalcançável é incentivado para que um mecanismo de controle social seja estabelecido, dificultando a emancipação das mulheres.

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Com frequência, a moda e beleza deixam de ser formas de expressão para se tornarem padrões impostos, e muitas vezes, esperados como única opção das mulheres. Nos últimos tempos, os padrões têm sido estabelecidos e aceitos por se conectarem a uma falsa sensação de propósito com a saúde. Ou seja, fazer dietas malucas e exercícios em excesso são justificados pela errônea ideia de que magreza significa estar saudável, e consequentemente, bonita. O mesmo ocorre com a depilação, já que pelos em mulheres – homens são livres desse paradigma – são sinônimos de sujeira.

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A saúde da pele também ganhou ênfase recentemente, visto que o uso intensivo de maquiagem perdeu espaço para a pele “natural”. Bom, não é?! Acontece que a indústria reverteu qualquer positividade: todos os dias surgem produtos diferentes que incentivam rotinas cada vez mais caras e numerosas. Além do repúdio às espinhas, métodos mais invasivos ganham os consultórios, assim como a popularização de cirurgias plásticas em mulheres cada vez mais novas. Até onde vai uma ação em favor da autoestima e quando começa a obsessão por um corpo que não existe?

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beleza real não cabe em uma caixa

Segundo o cirurgião plástico Victor Cutait, existem tecnologias muito avançadas, mas nenhuma é capaz de remodelar completamente o corpo. “Os procedimentos estéticos e cirurgias plásticas estão disponíveis para melhorar a autoestima e autoconfiança, mas sempre respeitando a essência, a história e a origem de cada um”.

“Existe um limite que o próprio corpo diz, a partir de cada constituição física. Cada pessoa tem sua beleza própria e características que devem ser valorizadas e é isso que os procedimentos devem explorar. Esse cuidado precisa ser tomado de maneira muito intensa, porque se nos deixarmos guiar pelos padrões e o bombardeio de imagens que as redes sociais e a grande mídia impõem, acabamos buscando algo inatingível, o que pode levar a consequências sérias”, afirma o Dr. Cutait.

O cirurgião alerta que essa obsessão pela beleza traz diversos danos para a saúde mental, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, agorafobia e até mesmo fobias sociais. “A busca incessante pela perfeição também pode provocar dismorfia corporal – um transtorno psicológico que consiste em uma preocupação excessiva pelo corpo, fazendo com que a pessoa não enxergue sua aparência real, superdimensionando pequenas imperfeições ou mesmo, imaginando essas imperfeições. Esse transtorno pode incluir anorexia, bulimia, vigorexia e causam diversos outros problemas, que envolvem doenças imunológicas, autoimunes e problemas digestivos”, finaliza.

“O mito da beleza seria acreditar que existe um padrão único e específico para se sentir bonito. Enquanto o mundo é formado por pessoas e padrões diferentes, não existe nada fixo, perfeito ou 100% simétrico. Precisamos aprender a admirar a beleza das diferenças”, diz a Dra. Fabiane Curvo de Faria, psicóloga especializada em terapia cognitivo comportamental e dialética comportamental, idealizadora da plataforma on-line “aterapia” e co-fundadora da plataforma digital “Sala de Ideias”, onde disponibiliza textos informativos sobre saúde emocional.

Para a psicóloga, tantos padrões são especialmente tóxicos quando se trata de alguém que está formando sua identidade. “A adolescência é quando estamos nos transformando, definindo como queremos ser, o que queremos realizar. Por isso os adolescentes estão sempre vulneráveis, abertos e flexíveis nesta fase. Na adolescência muitas atitudes e perfis são moldados, por isso deve ser um período de acompanhamento e orientação por parte dos pais e educadores”.

obsessão por saúde não é saudável

Fazer exercícios, evitar alimentos industrializados, cuidar do corpo… são tantos hábitos que devem ser incentivados, mas a verdade é que, assim como as cirurgias, o exagero leva à busca por uma beleza que só existe em mito. “É paradoxal: o que faz bem pode, muitas vezes, fazer mal. Não é porque a princípio não tem contraindicação que pode ser administrado em altas doses. Lembre-se: até água em exagero afoga. Esse comportamento que você cultiva, um rímel que você gosta, uma roupa que te faz sentir bem, pode ser uma ótima maneira de levantar sua autoestima, mas não pode ser a única. A vida tem múltiplos prazeres. É preciso explorá-los. Quando você enxerga apenas um, deixa de ser saudável”, pontua a Dra. Curvo de Faria.

“Nada contra nenhuma dieta, qualquer produto ou procedimento de estética em específico, desde que preserve a saúde. Contudo, percebo muita gente (principalmente na fase da adolescência que é mais suscetível aos modismos) perdendo a saúde em nome da própria saúde. Perdem a saúde porque restringem tanto a alimentação, que deixam de seguir a vida social e até mesmo familiar. Traçam tantas regras e acabam condenados por elas”, completa.

é possível um equilíbrio?

Deixar de adotar e se importar com padrões é muito difícil, já que o julgamento parece habitar todas as esferas da vida de alguém. Entretanto, vale dizer que a mídia tem se esforçado para fazer sua parte e colocar a pluralidade de corpos como prioridade número #1, tanto no jornalismo como no entretenimento.

Ainda há muito caminho para ser percorrido, mas por enquanto, vale trabalhar todo dia uma autorreflexão sobre o tema. “É saudável quem consegue estabelecer, diante de tudo o que lê e assiste sobre alimentação, um critério que contemple seus valores sem trazer perdas para a vida pessoal, social, familiar e profissional”, afirma a psicóloga, que incentiva a busca por terapia para desenvolvimento de um tratamento individual e assertivo.

“Acredite em si mesmo, desenvolva sempre a sua autoestima e estimule crenças positivas sobre si mesmo. Outra dica muito importante é não considerar tudo que o outro diz, procurar sempre fazer uma auto avaliação”, finaliza a Dra. Curvo de Faria.

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