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Comportamento

Relacionamento tóxico ou abusivo: como reconhecer?

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Bárbara Correa conheceu um cara bem sensível aos 17 anos. Quando recorda do começo do relacionamento, percebe que algumas coisas já lhe davam sinais do que ainda estava por vir. “Minha ex é louca” foi uma das frases que mais escutou durante o início do envolvimento, assim como as conversas emotivas que a colocavam em um pedestal durante um desentendimento. Com problemas familiares e questões que precisavam ser resolvidas na terapia, o parceiro dizia que sua cura era a presença de Bárbara em sua vida. E ela acreditou.

Com o tempo, o excesso de paixão transformou os dois em um só, e Bárbara começou a perceber que não podia quebrar isso. Sair sem ele não era uma opção, estar com homens também não, incluindo seu amigo homossexual de longa data. A garota começou a perceber que para continuar com ele precisava se anular e deixar de comparecer a eventos como festas na faculdade. “Ele dizia que eu fazia o que queria, não era meu pai. Mas, ele deixava bem claro que não gostava da minha melhor amiga. Também dizia que eu podia ir para onde quisesse, mas se eu decidisse ir para a festa sem ele junto, iria criar motivo para brigarmos”.

Bárbara não podia usar as roupas que queria, e sempre que brigavam, ela logo dava um jeito de fazer as pazes porque o parceiro começava a chorar, fazendo com que ela se sentisse culpada pela “situação que tinha criado”. Para evitar esse cenário, ela passou a deixar de fazer o que queria, mudou seus gostos e se afastou de seus amigos. Assim, não criaria “motivos” para discussões.

Mais um tempo se passou e os choros começaram a perder lugar para um comportamento mais agressivo, e com ele, o término definitivo. Em seguida, a fase mais difícil para Bárbara: aprender a viver novamente se colocando como prioridade. Depressão, ansiedade e transtornos alimentares tomaram conta do processo, causados não só pelo corte da dependência emocional que tinha com o parceiro, mas também a culpa que começou a sentir por ter permanecido dois anos em uma relação abusiva.

A todateen conversou com outras mulheres que se identificam com Bárbara, mas que preferem deixar seus nomes em anônimos. A. tem 41 anos e passou por quatro relacionamentos tóxicos, nos quais incluíam não só agressões físicas como também psicológicas. A advogada foi mãe aos 16 e teve que ouvir diversos tipos de comentário ofensivos dos parceiros em relação ao seu corpo, como também piadas que a rebaixavam e tentavam a desencorajar de continuar os estudos ou busca por emprego.

Mesmo estando em contato com a Lei Maria da Penha – que pune a violência doméstica – a advogada não encontrava forças para sair do primeiro relacionamento que lhe dava hematomas difíceis de serem escondidos e explicados. Com o fim desta relação, ela acabou se envolvendo com um outro parceiro que não lhe agredia fisicamente, mas lhe comparava com outras mulheres: “Ele dizia que mesmo que eu me arrumasse, jamais ficaria igual uma amiga que eu tinha, já que estava com 28 e ela 25”.

Depois desse, foram mais dois namorados que tentavam a controlar a qualquer custo. A. passou por uma depressão grave, encontrando no filho e nos cachorros adotados força para continuar vivendo. Ela não desistiu dos estudos, e hoje acredita ter se livrado dos ciclos custosos dos relacionamentos abusivos. Não desistiu do amor, reencontrou um amigo de infância e atualmente se encontra em um novo relacionamento. Entretanto, toda vez que posta uma foto no Facebook e um homem reage, seu primeiro ex a liga cobrando explicações.

V. tem uma história diferente, conheceu seu ex quando ainda estava no ensino médio, e desde o começo ele reforçava que não queria nada com ela, era “desapegado”, sabe? Mas com o tempo, o príncipe inabalável se mostrou vulnerável, e quando um término ameaçava acontecer, a asma e depressão do garoto vinham à tona.

Bem humorado, ele gostava de fazer piadas, só que elas sempre colocavam a parceira para baixo, principalmente em meio aos “incentivos” para que ela fosse à academia, afinal, ele não ficaria com alguém acima do peso considerado padrão. Para provocar, de vez em quando ele a chamava pelo nome da ex, fazendo com que ela lembrasse quem estava no controle.

V. não podia demonstrar qualquer sinal de independência, sonhos que não o incluíam eram como provocar uma briga, aliás, o medo era um sentimento constante para ela na relação. “Se eu estava cansada e esquecia de dar bom dia, ‘boom’. Já faz cinco meses que a gente terminou e minha autoestima ainda está no chão”.

“Tóxico” e “abusivo” são termos que vêm sendo cada vez mais mencionados quando o papo é sobre relacionamentos, e com eles, a discussão sobre suas definições. Afinal, o que é “normal” em uma relação? Como diferenciar um problema que pode ser resolvido de algo que se torna prejudicial à saúde mental?


O grau de seriedade entre as opções mencionadas traz a sensação de que a resposta seja óbvia. Mas acredite, não é. Para compreender melhor o que seria um relacionamento abusivo, conversamos com a psicóloga Bia Sant’Anna, especialista em neuropsicologia e em terapia cognitivo-comportamental, e o psicólogo Alexandre Bez, especializado na área de relacionamentos.

O que faz de uma relação tóxica?

Doutora Bia Sant’Anna: Normalmente um relacionamento é considerado tóxico quando existe uma relação de poder sobre o outro. É comum associarmos relacionamentos tóxicos aos amorosos, mas também podem acontecer entre amigos e familiares.

O que mais se observa é uma tentativa de controle em relação aos comportamentos, valores e decisões de uma outra pessoa. Por esse motivo, uma relação tóxica poderá facilmente se tornar uma relação abusiva, causando diversos sofrimentos, mal estar e sérias consequências psicológicas.

Até onde uma relação pode ser considerada conflituosa e quando ela passa a ser tóxica?

Doutor Alexandre Bez: Uma relação conflituosa pode ser resolvida desde que haja um empenho dos envolvidos para que os conflitos sejam identificados, tratados e não se repitam. Lembrando que os conflitos fazem parte de qualquer relação, a questão é como eles serão tratados.

As relações conflituosas podem gerar uma “situação tóxica temporária”, mas não necessariamente estabelecer uma relação tóxica efetiva, basta apenas sanar as causas, após as mesmas serem isoladas. As relações tóxicas são classificadas pela “extensa sensação de tortura – mental, ou psicológica”.

Quais são as principais características de uma relação tóxica?

Doutor Alexandre Bez: Todas as relações tóxicas incluem agressão, geralmente em relação à figura feminina, seja verbal, física, psicológica ou sexual. Os principais indícios são:

– Apontamentos: o parceiro aponta “características” na mulher, as quais ele não aprecie ou não valorize.

– Críticas: tudo aquilo que ela faz, ele condena. Independentemente do que seja, há mesmo o prazer da colocação.

– Comparação: No intuito em ridicularizá-la, ele irá compará-la com alguma mulher que ele julgue inferior.

– Forçar a admitir: Ele irá induzi-la (de maneira explícita ou não) para que admita que não há tanta habilidade ou competência assim.

– Tom de voz : Indispensável para qualquer agressor clássico! Visa através desse, a intimidação.

– Humilhação: Coloca a mulher para baixo reduzindo a sua autoestima.

– Verbalização mais rígida: se dá de maneira crescente, sendo o primeiro estágio mesmo da violência contra a mulher.

– Rispidez no contato físico: Pode ser acompanhado ou não de contato, que vai desde puxar os cabelos, segurar o braço, empurrar o corpo da mulher, desferir tapas, ou ainda socos com prejuízos nítidos de hematomas! Este é o segundo estágio da violência contra a mulher!

– Contato Sexual Agressivo: O último estágio da violência contra a mulher. Esse é o mais sério porque o sexo nunca é mesmo consentido e ele o usa para aumentar a sua força e poder sobre a mulher em etapas mais severas, podendo ser acompanhado de um assassinato após a atividade sexual.

Dá para administrar a relação (tóxica) sem deixar de acabar com o namoro? Quando é melhor romper?

Doutor Alexandre Bez: Não! Não há como associar uma relação saudável a um convívio tóxico. A hora de acabar é quando se percebe que o conflito é muito mais sério, deixando de ser uma fase de divergência.

A partir do momento que o primeiro estágio de verbalização mais acirrada se revela presente, já é hora do rompimento ser mesmo efetivado! Pois não haverão mudanças de caráter e a mulher poderá ser vitimizada, em um prazo muito curto de tempo, pelo segundo estágio (violência física) ou terceiro (estupro doméstico).

Se a leitora é a pessoa responsável por tornar a relação tóxica, o que ela pode fazer para construir uma relação saudável?

Doutora Bia Sant’Anna: Pessoas tóxicas normalmente são mais autocentradas e costumam focar-se apenas nos próprios interesses. É importante observar se existe reciprocidade na relação ou foco excessivo na intensificação das emoções negativas (reclamações, críticas e cobranças).

Abrir o diálogo na relação é um bom começo, ouvir e entender como o outro se sente e o impacto que suas ações tem na vida da pessoa. Se não conseguir ter controle sobre suas atitudes é importante procurar uma ajudar especializada para entender qual é a raiz, o que causa essa necessidade de controle.

O que é uma relação saudável, afinal de contas?

Doutora Bia Sant’Anna: Uma relação saudável é aquela que te faz crescer, te faz aprender e que traz à tona o seu melhor. Aquela em que existe respeito e carinho mútuos. Que você pode ser você mesmo, sem censuras ou reprovações, e que é pautada no respeito mútuo, aceitando as diferenças.

Qual tipo de terapia buscar quando se é a vítima?

Doutor Alexandre Bez: A psicoterapia sempre é indicada, mas a faça com profissionais da saúde especializados (psicólogos, psicanalistas, psiquiatras). O psicólogo irá estudar os comportamentos, podendo também atuar em conjunto com o psiquiatra. O psicanalista irá averiguar as causas das ações no inconsciente, acompanhado ou não de tratamento com medicamentos.

Minha amiga está em uma relação tóxica. Como posso falar com ela sobre isso para lhe ajudar?

Doutora Bia Sant’Anna: Muitas vezes é difícil a pessoa perceber que está dentro de um relacionamento tóxico, para ajudar alguém que está passando por isso, o primeiro passo é se mostrar disponível para escutar sem julgamento e buscar uma rede de apoio para auxiliar para se libertar dessa relação que é prejudicial.


E se você ainda acha que os relacionamentos tóxicos ou abusivos estão muito distantes da sua realidade, selecionamos alguns trechos da entrevista com as meninas anônimas. Pedimos para que os especialistas explicassem qual o problema presente em cada uma delas. Algumas demonstram uma agressividade mais nítida, outras são comuns em relacionamentos.

“Ele começou a me diminuir pelos meus gostos. Minha participação nos esportes era uma desculpa para usar shorts, e meu trabalho como representante era uma tentativa de chamar a atenção, segundo ele”- H. R.

Doutora Bia Sant’Anna: Se você era assim no início do relacionamento, foi por esta pessoa que ele se apaixonou. Querer mudar o que nos faz sermos quem somos é um exemplo de tentativa de controle e cerceamento. Devemos mudar porque a forma atual deixou de fazer sentido para nós mesmo e não por uma razão externa.

“Ele tinha todas as minhas senhas, e se eu pedisse por privacidade, falava que eu então deveria estar escondendo algo” – H. R.

Doutora Bia Sant’Anna: Todos nós temos o direito à nossa privacidade. E, mesmo em uma relação de amor e de confiança, nem tudo é compartilhado. Isso não tem nada a ver com esconder algo. Exigir senhas muito provavelmente é uma forma de controle excessivo.

“Quis cortar o cabelo, e ele disse que não combinaria comigo” – B. M.

Doutor Alexandre Bez: A conduta invasiva, nunca é saudável. Uma democrática conversa é sempre uma boa solução.

“Eu não devia dar minha opinião sobre certas coisas, porque segundo ele, era burra” – B. M.

Doutora Bia Sant’Anna: Este é um comportamento de crítica e desmoralização. Com o passar do tempo, a pessoa passa a acreditar realmente que ela é burra. Inconscientemente, uma mensagem muito forte vai sendo transmitida: “você é burra, não vai conseguir ninguém além de mim”.

“Ele usava termos muito fortes na hora de me xingar em uma discussão” – G. A.

Doutora Bia Sant’Anna: Esse é um dos limites que não se deve deixar passar. Algumas coisas não devem ser admitidas e ponto. É a escalada da violência. Por exemplo: xingamentos foram usados e perdoados. Então numa próxima vez, não será visto como algo tão grave assim.

“Eu não podia sair sem ele, caso contrário, ele agia de maneira estranha ou me maltratava sem filtro” – A. R.

Doutora Bia Sant’Anna: O que muitas vezes ocorre é uma escalada do comportamento agressivo. Muitas vezes ele pode começar com uma resposta atravessada, uma maneira estranha de reagir. E aos poucos, a intensidade dos comportamentos vai aumentando. Por isso é essencial colocar um limite e não permitir que isso ocorra. Esta imposição de limite não precisa ser de forma agressiva, pode e deve ser sob a forma do diálogo. Mas precisa existir.

“Ele dizia que eu fazia o que queria, não era meu pai. Mas, ele deixava bem claro que não gostava da minha melhor amiga. Também dizia que eu podia ir para onde quisesse, mas se eu decidisse ir para a festa sem ele junto, iria criar motivo para brigarmos” – Bárbara

Doutor Alexandre Bez: Também ação relacionada ao controle, mas numa esfera mais profunda podendo também ter um prejuízo maior à mulher! Quando o cara gosta não é agressivo e nem é um ciumento patológico, não há controle, mas sim uma leve preocupação em perder a amada.

“Chegou em um ponto que eu não sentia que podia ter amigos homens ou sair sem ele, mesmo que com minhas amigas” – Bárbara 

Doutor Alexandre Bez: Restrição total dos diretos da mulher em ir e vir. Indica controle e manifestações de poder absoluto.

“Ao longo do relacionamento, me distanciei das minhas amigas. Chegou em um momento em que eu só tinha a companhia dele e das amizades dele, as coisas aconteciam e eu não tinha coragem de contar para minha família. Então sabendo que estava sozinha, ele ameaçava de me deixar o tempo todo” – Bárbara

Doutora Bia Sant’Anna: Isso é exatamente o que costuma acontecer. A pessoa vai se distanciando das coisas e pessoas que gosta, até o ponto em que o parceiro e a vida dele passam a ser seu único foco. Com isso a pessoa fica extremamente enfraquecida e com muita dificuldade de romper o ciclo. Além de muitas vezes ter vergonha de pedir ajuda.

“Ele não era agressivo, mas chorava em todas as nossas discussões. Então eu pedia desculpas e tudo ficava bem” -Bárbara

Doutor Alexandre Bez: Chantagem emocional! Não deixa de se configurar como primeira relação tóxica, porque há um componente de controle também, mesmo que mais sútil e não agressivo! Entenda essa manifestação de chamar a atenção, através de uma agressividade passiva. Ele se faz de vítima e você cai. 

“Ele gritava e me agrediu, mas segundo ele e sua família, eu que provocava” -Bárbara

Doutora Bia Sant’Anna: É muito comum a culpabilização da vítima, acontece uma inversão completa dos papéis. A pessoa realmente perde os parâmetros e passa a acreditar que a culpa é dela. O que a faz ficar ainda mais enredada na trama do relacionamento tóxico.

“Meus planos que não o incluíam, incomodavam” – V. B.

Doutora Bia Sant’Anna: Sinal de alerta. Porque somos indivíduos, e como tal temos necessariamente desejos e necessidades que são únicos e que podem ou não ser compartilhados com o companheiro. Por isso, manter a individualidade é essencial dentro de qualquer relacionamento.

“Eu não queria ter uma relação sexual em um momento em que ele queria. Então ele insistia e eu cedia mesmo sem querer, porque ele tinha que gozar, e eu nunca conseguia fazer o mesmo” – Bárbara

Doutora Bia Sant’Anna: Avançar os próprios limites e se submeter a situações desprazerosas e/ou não priorizar-se é uma das piores atitudes que se pode ter numa relação. Isso pode ser facilmente confundido com uma negociação necessária. É claro que numa relação não se pode fazer sempre o que se quer, da forma que se quer. É preciso ceder, negociar, conciliar. Mas isso é completamente diferente de abrir mão do próprio bem estar, priorizando majoritariamente o bem estar do outro. É um exemplo claro de exercício de poder sobre uma outra pessoa.

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Reciclar para reinventar: projeto de reciclagem ressignifica roupas de baixo sem uso

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Reciclar para reinventar: projeto de reciclagem ressignifica roupas de baixo sem uso

Você sabe o que fazer com aquela calcinha ou sutiã sem uso? Por conta de estarem velhas ou danificadas de alguma forma, as roupas de baixo geralmente são as primeiras peças jogadas no lixo durante a famosa organização do guarda-roupa. Contudo, o fato desses itens terem perdido sentido para você, não significa que eles também perderam propósito no mundo.

Buscando agregar valor no que antes seria lixo, o projeto de reciclagem “Reciclar para reinventar”, da marca Leninha, recolhe descartes de calcinhas, cuecas e sutiãs sem uso e os transforma em recheio de almofada. Maria Antonia Paschoal, jornalista e co-fundadora da marca de roupas de baixo, explica que a iniciativa nasceu do incômodo de colocar “mais peças no mundo e não existir uma solução para elas ao final da vida útil de calcinhas e sutiãs”.

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A princípio, Maria conta que a ideia era encontrar alguma parceria para reciclar as peças, tendo a marca apenas como um ponto de coleta. Foi apenas depois de muita pesquisa com o co-fundador e sócio da marca, Miguel Aidar, que foi possível chegar ao formato atual do projeto.

“Descobrimos que não existe no mundo alguma iniciativa de reciclagem dessas peças que cuide do descarte do começo ao fim. A maioria das iniciativas, repassa esses descartes para lugares especializados em reciclagem que transformam as peças em matéria prima para outras indústrias (como para revestimento de carros ou revestimentos acústicos) ou doam essas peças”, comenta a jornalista.

Assim, o projeto leva em conta toda a cadeia do descarte, do início ao fim do processo. Para a idealização de cada etapa, Maria Antonia pontua os obstáculos em lidar com a reciclagem com roupas de baixo: “A grande dificuldade de reciclar calcinhas, cuecas e sutiãs é que são tecidos muito pequenos compostos por muitos materiais misturados, o que impossibilita que esse descarte volte a ser um tecido novamente, como é o caso de tecidos 100% por algodão, por exemplo”.

“Outra premissa importante que consideramos é que o resultado dessa reciclagem deveria agregar valor ao que antes seria lixo. Para gente, não faria sentido chegar a um resultado que tivesse igual ou menor valor aos descartes”

Depois da higienização em uma lavanderia especializada em lavagem de material hospitalar, os descartes são transformados em recheio de almofada. A jornalista explica que a ideia surgiu de uma inspiração que teve em pessoas que já faziam o mesmo com pedaços de tecidos sem uso:

“Fizemos alguns testes e o resultado que tivemos nos deixou bastante satisfeitos: a almofada fica mais durinha, remetendo à um futon e, além disso, substituímos a espuma de poliuretano que é extremamente poluente e ainda é muito utilizada como enchimento de travesseiros e almofadas”.

Além de ressignificar as roupas de baixo pela reciclagem, a inciativa da Leninha ainda fomenta outros núcleos econômicos. Os detalhes das almofadas foram pensados junto ao coletivo de costureiras Flor de Cabruêra, que incentiva a sustentabilidade por meio do upcycling. “Elas desenvolvem bolsas, mochilas, sacolas a partir de banners e outros materiais que iriam para o lixo. Dentro do nosso projeto, elas são as responsáveis por cortar e costurar nossas almofadas”, explica Maria.

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Por fim, cada almofada ainda carrega bordado feito pelas mães do ACTC – Casa do Coração, Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração.

A fundação existe há mais de 25 anos e atende crianças e adolescentes que apresentam quadro clínico de cardiopatia grave, oferecendo hospedagem, alimentação e atendimento interdisciplinar para pacientes não residentes na cidade de São Paulo, beneficiárias do Sistema Único de Saúde, em tratamento nos principais centros médicos que atendam alta complexidade. Dentro da Casa foi criado o projeto Maria Maria, que proporciona às mães que estão acompanhando o tratamento dos seus filhos vivências com o bordado e outras formas de artesanato. Para elas, o bordado é uma forma de traçar novas perspectivas, além de ajudar em suas despesas em São Paulo, uma vez que estes bordados são vendidos”, compartilha.  

“Assim, nossas almofadas carregam um pouco da história de cada uma dessas mulheres que participam desse processo e, o que antes seria lixo, transforma-se em um novo objeto recheado de valor e significado”

Com mais de um ano de existência, o projeto já recolheu 2500 peças – sendo que, no mesmo espaço de tempo, a marca produziu cerca de 4000 peças.

“Nosso projeto de reciclagem ajuda a mitigar os impactos da nossa produção. As almofadas estão sendo produzidas e serão vendidas em nossa loja e todo o lucro será reinvestido no projeto […] A nossa ideia é que reciclagem faça parte do nosso negócio, então, enquanto existirmos, reciclaremos roupas de baixo em qualquer estado de conservação”, comenta Maria.

como participar

Por conta da pandemia, a caixa postal foi a forma mais segura encontrada pela marca para recolher os descartes. Dessa forma, caso você tenha interesse em participar do projeto de reciclagem, a Leninha está recebendo peças de todo o Brasil atualmente.

Confira abaixo todas as informações para o envio:

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quem é a leninha? 

“Leninha é o apelido da minha avó e, desde pequena, acompanho seu desfile de camisolas nas noites de férias no Rio de Janeiro. A minha avó animada, moderna e com camisolas incríveis é a inspiração da marca. A Leninha nasceu quando eu e meu sócio nos juntamos para cortar e costurar mais de 600 calcinhas. A partir daí, elaboramos o conceito, passamos a produzir mais peças e entender cada vez mais as necessidades do mercado de roupas de baixo. Queremos que as mulheres usem roupa de baixo assim como a minha avó: para elas mesmas. Hoje, produzimos todas as nossas peças em seis tamanhos, vestindo com conforto mulheres do 36 ao 54, sem aro e nem bojo”, explica Maria Antonia. 

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“A Todo Vapor”: Pamela Otero fala sobre sua personagem marcante na série e o estilo steam punk

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Pamela Otero
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Dona de muitos talentos e protagonista da série A Todo Vapor, Pamela Otero bateu um papo especial com a todateen. A atriz, que já participou de trabalhos como Quando Toca o Sino, do Disney Channel,  agora pode ser vista no streaming da Amazon Prime como a heroína Vitória Acauã, uma médium de espírito livre, que se comunica com o vento e as vozes do além.

A personagem e a série são totalmente inspiradas em histórias da literatura brasileira e contam com uma estética altamente influenciada pelo estilo steam punk, o que deixa tudo ainda mais mágico.

Confere só o que a Pamela falou sobre essa série que já é o maior sucesso!

Conte para nós um pouco sobre a série A Todo Vapor?

A série traz personagens inspirados na literatura nacional para uma aventura com toques de magia em um pano de fundo retrofuturista que se passa em 1908. Na trama, Juca Pirama e Capitu são investigadores que tentam desvendar uma série de crimes em uma vila no interior de São Paulo. Além das criações de Gonçalves Dias e Machado de Assis, personagens de José de Alencar, Raul Pompeia, Inglês de Sousa e outros autores clássicos aparecem na série.

Sua personagem Vitória Acauã vem da obra de Inglês de Souza, Contos Amazônicos. Como foi o processo de construção da personagem a partir da narrativa do livro?

Foi uma pesquisa no universo e na compreensão do peso que a personagem carregava, pois precisava entender sobre a maldição do pássaro Acauã! Todo o medo envolvendo o nome desse pássaro cheio de lendas e histórias, que já até foi música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas! Eu peguei todo esse fardo, esse passado do Inglês, do Luiz, das lendas, do sertão, dos índios e dei esse peso no passado dela! Ela carrega isso na história, mas ela escolheu ser heroína e cuidar do todo! Isso é lindo! Todo mundo tem o mau e bom dentro de si, o que nos torna quem somos, são nossas escolhas! Isso faz de Vitória Acauã uma grande personagem, tão importante pra trama da série!

Quais semelhanças você enxerga entre você mesma e sua personagem?

Embora eu seja muito extrovertida, tenho muitos momentos de solitude, quietude e aproveito pra mergulhar em mim e para observar o todo, o entorno! Vitória é assim, observadora e escuta sua intuição, usa a seu favor! Essa é uma ferramenta que todos nós temos acesso! Mas para ouvir a intuição, temos que mergulhar dentro da gente e encontrar nosso silêncio externo pra ouvir os ruídos internos! Ou seja, dá trabalho! Mas é minha busca diária! Gosto muito de lutar pelos meus amigos, e com eles também, focar em soluções e a Vitória também! Não importa o tamanho do problema, que preferimos chamar de desafios, a gente estuda a melhor forma de resolver!
Outra conexão entre nós muito relevante: a natureza. O universo da personagem é transmídia e nas outras histórias da para ver como ela arregaça as mangas para salvar o todo, a natureza, preservar as tradições e construir (ou reconstruir) o amanhã! Acho inclusive que Vitórias são necessárias para este momento em que estamos vivendo de tantas secas e queimadas e muita história por trás está precisando ser desvendada e estancada, inclusive!

Se pudesse escolher um animal para se transformar, em qual animal se transformaria?

Com certeza me transformaria em algum felino! Eles tem o olhar mais aguçado, tem uma mobilidade incrível, são ágeis e espertos! Sabem a hora de agir e a hora de poupar energia! Se divertem, mas também aproveitam um bom descanso! Felinos são muito inteligentes!

Qual sua relação com a literatura brasileira?

Comecei a ler na escola, os clássicos que são inclusive parte da nossa série: Machado de Assis, Manuel Antônio de Almeida, José de Alencar, Gonçalves Dias, Cecília Meireles e logo jovem, já estava no teatro. Comecei a estudar arte antes dos 10 (na verdade comecei dançando aos 5, a dança me apresentou o palco), mas aí, dentro da arte, a gente lê muito para ter referências, para construir os papéis, então lia muitas peças: Nelson, Plínio, Ariano, Martins Pena e por aí vai!

Seu hábito de leitura mudou depois de fazer parte do projeto?

Eu gosto bastante de ler, já fui do tempo de ler romances, hoje leio mais sobre assuntos de despertar da consciência, comunicação e expressão, além das obras que estou estudando como atriz, sempre estou ensaiando algo, lendo textos!

Tem alguma indicação de livros para as leitoras?

Sim! De vários tipos! Algumas delas são:

Mulheres que Correm com Lobos – Clarissa Pinkolas
Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur
Cecília e Poemas dos Becos de Goiás – Cora Coralina
A Hora da Estrela – Clarice Lispector

A estética Steam Punk não é amplamente divulgada no Brasil, você já tinha conhecimento sobre esse estilo antes de entrar em contato com a série?

Sim! Eu gosto muito da estética e era algo que já observava! Esse lance retrofuturista chama muito atenção, impacta quase que de modo geral! É instigante, hipnótico, até! Tem alguns filmes e séries que nos chamam atenção por essa estética há muito tempo: A Invenção de Hugo Cabret, A Máquina do Tempo, 20 mil léguas submarinas, Liga Extraordinária … então foi uma alegria fazer parte da primeira série com essa estética no Brasil e ainda unir referências da nossa literatura, transformando personagens clássicos em heróis!

Você adotou alguma das peculiaridades do estilo Steam Punk para o seu estilo pessoal?

Na época em que estávamos rodando a série sim, usava muitos acessórios na cor cobre, era apaixonada por engrenagens aparecendo e roupa de tons mais terrosos que uso até hoje!

Cite 3 motivos para as leitoras não deixarem de assistir à série e acompanhar sua personagem Vitória Acauã no streaming!

1) É muito importante a gente incentivar e apoiar as obras nacionais, ainda mais as independentes, como é o caso de A Todo Vapor. O sucesso da primeira temporada pode abrir os olhos de apoiadores e patrocinadores para uma segunda, imagina que demais fazer uma obra steam punk brasileira com a verba ideal pra isso? Seria um sonho perfeito!

2) Mulheres fortes de origem de obras nacionais, Vitória é personagem de Contos Amazônicos de Inglês de Souza! Além dela temos as mulheres: Capitu Machado, Aurélia Camargo… Mulheres no comando, resolvendo, decidindo, fazendo o que deve ser feito!

3) Vitória faz parte dos heróis da série, promete desafios, resoluções, intrigas e também romance! Essa guerreira é das boas!

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Protagonismo, visibilidade e empoderamento de pessoas com deficiência: “Minha cadeira, minha liberdade”

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Protagonismo, visibilidade e empoderamento de pessoas com deficiência: "Minha cadeira, minha liberdade"
Rawpixel/Júlia Rodrigues/Reprodução

No mundo virtual, diversos temas vêm ganhando cada vez mais protagonismo nas redes, dentre eles a acessibilidade e a ressignificação de pessoas com deficiência na mídia tradicional. No mês em que é celebrado a visibilidade da pessoa com deficiência, a todateen conversou exclusivamente com duas personalidades que, de maneiras bastante distintas, rompem diariamente com os padrões de “normalidade” e refutam o tão presente capacitismo – a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência.

Heloísa Rocha

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Sergipana radicada em São Paulo, a jornalista Heloísa Rocha tem uma doença rara chamada osteogênese imperfeita, cuja principal manifestação clínica é a fragilidade óssea. No entanto, pesando menos de 20kg e com menos de um metro de altura, Helô é a responsável por criar um dos maiores instablogs de moda, o Moda em Rodas, que têm como objetivo principal auxiliar outras mulheres com deficiência.

Desde pequena interessada no mundo da moda, Helô aprendeu com sua vó e tia a identificar uma peça de qualidade e a conhecer o seu estilo e o seu corpo. “Eu sempre fui uma pessoa muito vaidosa e a minha profissão me exigiu a montar um guarda-roupa que atendesse ao meu perfil e idade, já que minhas roupas são feitas sob medidas ou compradas no setor infantil por conta do meu peso e tamanho.”, conta. “Até então, a minha ligação com a moda era mais no desafio de encontrar peças que servissem em mim e que conseguissem passar a imagem que eu gostaria, ou seja, a de uma profissional adulta.”, revela.

Já formada, ela passou a supervisionar produções de moda e comportamento – o que a exigiu que estudasse mais sobre o tema. Dessa forma, após cobrir algumas edições São Paulo Fashion Week, a moda passou a se tornar uma paixão e fez com que ela começasse a acompanhar de perto cada tendência. “Eu senti a necessidade de criar um projeto pessoal e que, ao mesmo tempo, ajudasse outras pessoas. Analisando, na época, a minha vida, as minhas paixões e o fato de que constantemente outras mulheres com deficiência me procurarem para pedir dicas de moda, eu tive a ideia de compartilhar todo o conhecimento de moda que eu havia adquirido ao longo da vida com o mundo inteiro. E assim nasceu o Moda Em Rodas!”, relembra.

Para Heloísa, a moda foi uma importante ferramenta de aceitação. “Ela me ajudou a conhecer e a amar o meu corpo, independente das curvaturas que tenho em razão das inúmeras fraturas que tive ao longo da vida. A moda me obrigou a experimentar diferentes peças para que eu encontrasse o meu estilo e pudesse encarar o espelho naturalmente.”, conta, explicando que, quando veste uma roupa que a faz se sentir bem e confiante, a deficiência acaba sendo só um detalhe.

“No Moda Em Rodas, eu tento, por meio dos meus looks, passar aos seguidores essa confiança e segurança para que eles, independente ou não de terem uma deficiência, se sintam encorajados a mostrarem seus corpos, suas belezas e imperfeições para o mundo.”, revela.

Ao criar e alimentar uma plataforma tão inspiradora, Helô explica que quer, por meio da paciência e cuidado que teve com ela mesma, mostrar a mesma confiança e os mesmos truques que adquiriu ao longo da vida. “Nem todo mundo teve a sorte, como eu, de crescer em uma família de costureiras e, infelizmente, nem toda menina com deficiência tem a oportunidade de falar sobre moda ou corpo em si com um parente ou uma amiga.”, fala, argumentando que o Moda Em Rodas é apenas para servir como um empurrão.

“É só um incentivo para que elas encarem as suas imperfeições da mesma forma que eu encaro (e muito bem!) as minhas. Corpos e pessoas perfeitas não existem! Nós criamos nossos próprios padrões e não os outros!”.

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Como jornalista, Helô conta que gostaria que a imprensa se renovasse em suas pautas, linguagens e abordagens, já que, no fundo, todos os profissionais da área têm como missão tanto informar quanto educar. “O capacitismo ainda é fortemente presente nas reportagens e isso só reforça o estereótipo de ‘coitadinho’ ou de ‘super-herói’ que carregamos há anos.”, explica. Lembrando que, em sociedades capacitistas, a ausência deficiências é visto como o “normal”, e pessoas com alguma deficiência são entendidas como exceções. A deficiência é, nesse contexto, enxergada como algo a ser superado ou corrigido.

“Como cidadã, eu peço que pais e familiares não repreendam as crianças que perguntam ou que querem chegar perto de uma pessoa com deficiência. Este ato de negação logo na infância fica marcado para sempre e faz com que as pessoas tenham dificuldade em se aproximar de um indivíduo com deficiência e de conviver com ele de forma natural.”, alerta.

Andrezinho Carioca

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Andrezinho Carioca sempre foi apaixonado pelo mar. “Quando eu era militar um tenente do meu pelotão me vendeu uma prancha bem baratinho. Eu tinha 18 anos.”, conta ele, que usa cadeira de rodas há aproximadamente 20 anos. Em 8 de fevereiro de 2012, no Rio Mearim, na cidade do Arari, no Maranhão, se tornou o primeiro cadeirante do mundo a surfar a pororoca – fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio.

Ele já foi atleta de remo adaptado, fez parte da seleção brasileira e dos principais times do Rio de Janeiro. Mas, quando começou a surfar, acabou largando o remo. “A paixão foi tão grande que eu nunca mais parei. É um pouco difícil explicar, mas acho que quando me apaixono é assim…”, conta, falando que, embora não surfe mais profissionalmente, fala com convicção que nunca abandonará o esporte.

André ainda ressalta a importância do esporte para a rotina. “O esporte assim como a arte é uma excelente ferramenta de socialização. Além de ajudar a manter o corpo em melhores condições para as atividades do dia a dia. Esporte é vida!”, exclama ele, que também é apaixonado por música e faz apresentações nos vagões do metrô no Rio de Janeiro.

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Com relação ao seu processo de aceitação, André conta que não teve muita dificuldade em lidar com a nova realidade. “Desde que fiquei sabendo da minha nova condição eu só pensava em me reabilitar e poder viver cada momento que a vida me reserva. Sou apaixonado pela minha vida. Costumo dizer que depois de estar na condição de pessoa com deficiência a vida fica um pouco mais difícil, mas não impossível.”, revela.

André afirma que, no dia a dia, às vezes passa por situações preconceituosas, mas conta que não dá muita importância para elas. “Acredito que se você potencializar isso os preconceitos acontecem com mais frequência. É da natureza do ser humano separar o que é diferente.”, fala.

“Deficiente são as nossas cidades, regiões ou bairros”

É o que Helô sempre diz. “A falta de acessibilidade nas ruas, nos estabelecimentos e nos transportes públicos impedem a nossa circulação e a de existirmos na sociedade.”, conta ela, que reflete sobre os inúmeros desafios que nós, como sociedade, ainda temos que percorrer.

“A dificuldade de poder circular livremente em todos os espaços faz com que o convívio de pessoas com deficiência com os que não têm deficiência seja pequeno. Sem o convívio, as pessoas ainda carregam dúvidas de como agir com o indivíduo e perpetuam ações ou frases capacitistas. É preciso que a sociedade normalize o corpo com deficiência para que suas potencialidades sejam vistas antes da deficiência.”, analisa ela.

André, por sua vez, compactua dos mesmos pensamentos. “Eu acredito que deve ser tudo acessível porque independente das dificuldades de cada um somos todos iguais e devemos ter os mesmos direitos e deveres.”, afirma. Além disso, talvez por conta dessa inacessibilidade, a concepção de que pessoas com deficiências motoras estão “presas” em suas cadeiras de roda ainda é algo bastante propagado.

“Minha cadeira, minha liberdade. Se não fosse minha cadeira de rodas aí sim eu estaria preso: em uma cama, em um sofá ou qualquer outro cômodo que não me levaria a lugar algum.”, ressalta André.

 

“Como alguém pode dizer que está preso em algo que tem a função de levar o indivíduo com deficiência física ao lugar que ele quiser?”, questiona Helô.

Conseguimos perceber, portanto, que um dos principais aspectos a serem combatidos contra os preconceitos com as pessoas com deficiência, é o social. De acordo com a jornalista, mesmo que tenhamos a ideia de que estamos, em geral, livre de tais prejulgamentos, citamos diariamente expressões capacitistas, ainda não sabemos como se relacionar amigavelmente ou afetivamente com pessoas com deficiência por conta da deficiência e suas limitações, por vezes reforçamos a deficiência em descrições ou narrações, além de temos pouquíssimas representações na mídia em geral.

“Queria lembrar a todos que a deficiência é só um detalhe de um todo de um indivíduo e que, por favor, parem de nos classificar em um único grupo, pois, além da deficiência, temos gostos, personalidades, estilos, habilidades e preferências completamente diferentes. Aprenda a olhar a pessoa com deficiência além da sua deficiência!”, finaliza Helô.

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