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Rivalidade feminina e relacionamento “maternal”: o que não levar da “Barraca Do Beijo 2” para a sua vida

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Relacionamento "maternal" e rivalidade feminina: o que não levar da "Barraca Do Beijo 2" para a sua vida
Divulgação / Netflix

ATENÇÃO: Se você está fugindo dos spoilers de A Barraca Do Beijo 2 pode querer deixar essa matéria para depois 😉 .

A todateen assistiu A Barraca Do Beijo 2 assim que o catálogo da Netflix foi atualizado na última sexta-feira (24). Com um elenco carismático e um enredo clássico entre as comédias românticas adolescentes, o filme protagonizado por Joey King, Jacob Elordi e Taylor Zakhar Perez foi um dos pontos altos da quarentena, tendo a discussão sobre #TeamNoah ou #TeamMarco como uma das temáticas mais comentadas durante o final de semana da estreia.

Entretanto, o filme repleto de cenas fofas também trouxe reflexos tóxicos dos relacionamentos adolescentes, e se você está em grupos de “share” no Facebook deve ter se deparado com diversos comentários que questionam os conflitos que dificultam a vida de Elle no roteiro.

Jacob Elordi revela que sofreu para ter o corpo de Noah Flynn

A gente já fez uma matéria especial sobre os estereótipos do entretenimento teen e como eles podem ser prejudiciais para a formação de uma geração empoderada (confira aqui o conteúdo completo). A sequência de A Barraca Do Beijo nos mostra que, mais uma vez, os rótulos e comportamentos de raízes machistas ainda estão enraizados nas “rom-com” teen.

Diversas reflexões sobre o enredo merecem destaque, mas o foco desta matéria será falar um pouco mais sobre duas problemáticas presentes na história de Elle, Noah, Marco, Lee e Rachel: o relacionamento com características maternais e a consequente rivalidade feminina. Para isso, conversamos com a psicóloga Talitha Nobre, psicanalista membro do corpo freudiano do Rio de Janeiro e coordenadora do centro de apoio à família no grupo Prontobaby.

A Barraca do Beijo: você não vai acreditar a idade real dos atores

Você já reparou que Elle evita ao máximo conversar com Noah quando sente que seu relacionamento está com problemas? E quando Rachel acredita que o problema de sua relação com Lee é a intromissão de Elle, e não a falta de organização do namorado? Segundo a Dra. Nobre, a explicação está nesta mania de acreditar que o homem não tem capacidade de administrar sozinho o problema, e é aqui que o traço “maternal” entra em jogo.

“A mulher muitas vezes é criada para ser mãe, mais um traço herdado pela cultura patriarcal. Essa mulher, que foi criada para atender a todas as demandas do seu parceiro, carrega o peso de ‘cuidar’ dele, é a mãe da relação. No fundo esse comportamento pode revelar uma certa insegurança e dificuldade em lidar com as escolhas do outro. Sendo assim, elas assumem o controle da relação e acabam ocultando suas próprias vontades”.

Afinal, Elle sonhou a vida toda em estudar na Califórnia, mas de um dia para o outro estava em um concurso para ter dinheiro suficiente para Harvard, a faculdade do namorado.

“De novo aquela máxima da mulher responsável pela relação. A mulher como aquela que vai sacrificar sua própria individualidade para preservar a relação e que abre mão da sua singularidade para viver a vida do parceiro”, completa a Dra. Nobre.

Mas não é só a criação patriarcal das mulheres que influenciam essa necessidade de lidar com todos os problemas do relacionamento, e até da vida do parceiro. A criação dos homens pode os tornar péssimos no quesito “inteligência emocional”. Conversar e expressar os sentimentos é uma grande dificuldade para os garotos, especialmente Lee, que prefere fingir torcer o pé a falar com a melhor amiga sobre sua gestão de tempo nos relacionamentos ou ainda, dizer à namorada que não quer reduzir o tempo que passa com a melhor amiga.

Netflix libera cena de “A Barraca Do Beijo 3” e Elle continua indecisa!

“Meninos crescem ouvindo ‘homem não chora’. Há uma restrição ao homem em poder demonstrar suas emoções e isso vai sendo transmitido de geração em geração”.

Como a maior responsabilidade dos problemas parece não ser do parceiro, Elle e Rachel fazem algo que é bem comum em diversos relacionamentos: transferir a causa da complicação no namoro para uma garota, retratada como rival. Para Rachel, Elle é intrometida, enquanto a protagonista reune provas de que Chloe é sua adversária na conquista de Noah. Outro nome para estas situações é a “rivalidade feminina”.

“Este é um esteriótipo que vem sendo desconstruído na atualidade com o conceito de sororidade. Existe o peso da cultura que vai se reproduzindo entre gerações. No modelo patriarcal, por exemplo, o lugar que a mulher ocupa era de ser do lar, mãe, ao lado de um homem a quem deveria agradar. No filme vemos claramente a expectativa feminina de que outras mulheres possam assumir a responsabilidade de resolver os problemas pelos homens. Em uma traição, por exemplo, a culpada é sempre da outra mulher, isso já esta tão enraizado que muitas vezes não paramos para questionar”.

Nobre ainda comentou sobre a rivalidade feminina e a isenção da responsabilidade dos homens na relação.

“A narrativa mostra a namorada culpando a amiga do namorado pela relação de amizade entre os dois, quando deveria questionar o próprio garoto pela relação que ele tem com a protagonista, a qual lhe causa tanto desconforto. Isso só aumenta a rivalidade feminina e isenta o homem da responsabilidade na relação”, completa a Dra. Nobre.

+ Qual personagem de A Barraca do Beijo mais te define?

Apesar de não mostrar uma conversa sincera entre Lee e Rachel, a sequência de A Barraca Do Beijo se encerra com o fim do clima de disputa entre as mulheres, bem como a conversa tão aguardada entre o casal favorito, Elle e Noah. Se existe algo da narrativa que podemos levar para a vida real, com toda certeza é a conclusão de que a comunicação é o pilar para qualquer relação.

“O relacionamento é um acordo entre duas pessoas, o qual precisa ser ajustado e relembrando sempre que necessário. Não há relacionamento sem comunicação! Quanto melhor o diálogo, melhor será a relação”, finaliza a Dra. Nobre.

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#StopAsianHate: entenda como a xenofobia se conecta com a política internacional

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#StopAsianHate: entenda como a xenofobia se conecta com a política internacional
Dia Dipasupil/Getty Images; Reprodução/TSE

O dia 19 de março de 2020 marcou o início formal do isolamento social, por conta da pandemia do coronavírus, em diversos países. Deste dia até 28 de fevereiro de 2021 foram registrados 3.795 relatos de discursos racistas e atos violentos contra asiáticos nos Estados Unidos, segundo a organização Stop AAPI Hate (Stop Asian American and Pacific Islander Hate). Cerca de 35,4% dos casos ocorreram no trabalho, 25,3% na rua e 10,8% online. Agressão verbal foi relatada em 68,1%, 20,5% contou com rejeição social e 11,1% agressão física.

Recentemente, em março, uma senhora chinesa de 76 anos residente de São Francisco disse às autoridades que um homem, sem motivo aparente, tentou lhe agredir enquanto atravessava a rua. Sem ter o que fazer, ela tentou se defender do agressor com uma bengala de madeira. Segundo informações divulgadas à imprensa, a polícia local no momento da notificação investigava um crime semelhante, que havia ocorrido dias antes com um idoso de raízes asiáticas. Entretanto, o caso que desembocou o ápice de manifestações em prol da hashtag #StopAsianHate, ocorreu no dia 16 do mesmo mês, na cidade de Atlanta. Robert Aaron Long, um homem branco de 21 anos, matou oito pessoas de uma casa de massagem, seis eram mulheres asiáticas.

Em São Paulo, o Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina) criou uma central de denúncias para reunir relatos de assédio à comunidade asiático-brasileira em todo o Brasil. O nome do canal é #RacismoNão e as denúncias são feitas através do e-mail racismonao@ibrachina.com.br, dando o nome da vítima, lugar e horário da agressão. Em maio já haviam cerca de 200 denúncias, fora os ataques virtuais xenofóbicos que o próprio instituto recebe em suas redes.

Como nós, da todateenjá refletimos na matéria “#StopAsianHate: como pessoas amarelas encaram o preconceito?”, falas hostis direcionadas às pessoas de raízes asiáticas não começaram na pandemia. Assim como nos Estados Unidos, estereótipos relacionados aos imigrantes e brasileiros com família descendente de países da Ásia existem há muito tempo, indo desde comentários pejorativos sobre características físicas à fetichização das mulheres e violência.

O que ocorreu durante a pandemia foi que os estereótipos já existentes, principalmente em relação aos chineses, foram reforçados por conta de um fenômeno político: a culpabilização do país pela pandemia, informação que é falsa, mas dita, nas entrelinhas ou não, por diversas figuras de influência, como os políticos brasileiros.

“Nós vivemos em sociedade. Essa é uma afirmação crucial para entender as dinâmicas das relações entre os seres humanos, não há como separar por completo política e economia do dia a dia dos cidadãos ‘comuns’. Ou seja, quando temos uma população bombardeada com informações falsas, como ‘a China quer espionar nossa vida’ ou ‘o vírus chinês que é responsável pela pandemia’, cria-se no subconsciente da população uma imagem negativa deste povo, lembrando que muitas vezes as informações chegam em pequenas parcelas e distorcidas para grande parte da sociedade”, é o que diz Sabrina Bomtempo, cientista política pela Universidade de Brasília (UnB), associada ao Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC), consultora política e pesquisadora na BaseLab.

Em entrevista exclusiva para o site, Bomtempo comentou sobre como o aumento da violência com pessoas amarelas, dentro e fora do país, tem mais relação direta com política do que você imagina. Quer ver?

Brasil & China uma relação de negócios

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso as relações Brasil-China começaram a se fortalecer, com uma expansão significativa nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Quando Michel Temer assume a presidência da república essa relação se mantém firme, com amplas conversas entre os países para, inclusive, importação da tecnologia 5G. 

É importante compreender que a relação entre os dois países envolve trocas comerciais e investimentos. O Brasil exporta principalmente produtos primários para a China (soja, carne, petróleo etc.) e importa bens de consumo (eletrônicos, equipamentos de telecomunicação, medicamentos, etc.), ao passo que a China também investe no Brasil por meio da aquisição de empresas e implementação de novos projetos. Os setores que recebem maiores investimentos e financiamentos chineses são os de energia, petróleo, gás e mineração.

A partir desta contextualização, temos uma relação econômica com a China onde ela é a principal importadora brasileira, com uma demanda que continuamente aumenta, justamente porque o país está em crescimento contínuo. Desse modo, há uma necessidade de não perder este “cliente” e, portanto, discute-se a importância de diversificar o leque de países que importam quantidade significativa de produtos brasileiros. Em síntese: o Brasil tem a China como seu principal cliente no comércio exterior, com quase 30% da receita do país, tornando-a uma nação essencial para a manutenção da saúde financeira do Brasil.

se o Brasil depende tanto da China, por que Bolsonaro desgasta a relação?

Sob o ponto de vista econômico, não há interesse em se afastar do principal importador de matéria-prima do país. Os comentários que Bolsonaro e sua “turma” fazem da China dizem respeito, em grande maioria, a um posicionamento ideológico, no qual veem a China como um país comunista que estaria tendo vantagens comerciais devido à relação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista Chinês.

Além disso, também se dá em um contexto no qual Bolsonaro, antes e logo após eleito, busca aproximação constante dos Estados Unidos da América, principal rival comercial da China no contexto internacional e na época chefiado pelo ídolo de Bolsonaro, Donald Trump.

quais os interesses de Trump em uma rivalidade com a China?

A China e os EUA são as duas maiores potências mundiais, claro que isto já gerava alguma tensão entre os países antes da entrada de Donald Trump em 2016, no entanto, até se especulava a possibilidade de um bloco EUA-China. Ao assumir o governo estadunidense, Trump acreditou que poderia frear o desenvolvimento econômico da China por meio de sanções e taxas sobre produtos chineses, principalmente voltadas a área de tecnologia, o objetivo era acabar com o déficit comercial na relação EUA-China. Para ser mais didática, os Estados Unidos colocam mais dinheiro na China do que a China nos EUA, a ideia era mudar esta dinâmica.

Um exemplo dessa disputa e sanção dos EUA e China diz respeito à tecnologia 5G, que é liderada pela empresa chinesa Huawei, que foi acusada de usar seus equipamentos para espionagem; hoje a Huawei não é comercializada nos Estados Unidos e o país tenta baní-la de outras nações, com ameaças de sanções comerciais à elas.

por que nada mudou com Biden?

Uma das principais expectativas após a eleição de Biden era de que os Estados Unidos passasse a ter um papel mais conciliador em meio à rivalidade com a China. Entretanto, na primeira tour de políticos do governo Biden ao continente, o clima não foi de resolução de conflitos.

A China se encontra em um clima de rivalidade com o Japão, causado principalmente por uma nova lei de Pequim, que permite à Guarda Costeira do país atirar em navios estrangeiros, bem como repetidas investidas da China nas águas territoriais japonesas em torno das ilhas Senkaku, no Mar do Sul da China, e à instalação de sistemas antimísseis. Recentemente, políticos do governo Biden compareceram a uma série de eventos em uma tour pelo continente. O clima foi de muita tensão e provocações, justamente em março, quando ocorreram tantos registros marcantes de violência contra asiáticos nos Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, tomou a palavra para citar queixas e reclamar de que, na véspera da reunião, Washington impôs sanções contra 24 funcionários dos governos central chinês e de Hong Kong. “Não é assim que se deve dar as boas-vindas aos convidados, e nos perguntamos se os Estados Unidos tomaram essa decisão para tentar obter alguma vantagem em sua interação com a China, mas certamente é um erro de cálculo, que só reflete a vulnerabilidade e fraqueza dentro dos Estados Unidos”, disse o político.

Ao longo da última semana, as Filipinas se queixaram da presença de uma milícia chinesa no recife de Whitsun, no mar do Sul da China. A explicação para isso está no fato de a China considerar que 85% daquelas águas territoriais seriam suas, portanto, militarizar essas regiões é parte de uma estratégia de ocupação desde 2014. Entretanto, Pequim afirma que os barcos presentes na região são apenas pesqueiros.

No domingo de Páscoa (4), um dos 11 porta-aviões nucleares dos Estados Unidos, o USS Theodore Roosevelt, entrou na região. Poucas horas antes, ainda no sábado (3), um porta-avião da China, o Liaoning, fez uma travessia no estreito de Miyako, onde ficam as ilhas Senkaku — que são desabitadas mas têm potenciais reservas de petróleo, e por ora são controladas pelo Japão.

“A tensão comercial entre os dois países se mantém e Biden não mostra pretensão de abandonar a política de disputa comercial e sanções adotadas por Trump. Além disso, o presidente americano tem feito severas críticas ao modelo trabalhista chinês, acusando-o de violação dos direitos humanos. O recente encontro entre representantes oficiais dos dois países foi marcado por comentários ariscos de ambas às partes em frente a TV, um comportamento incomum no mundo diplomático e que, portanto, mostra como estas tensões seguem presentes na relação EUA-China”, finaliza Bomtempo.

e o Brasil, mudou de ideia?

Apesar de Jair Bolsonaro, seu filho Eduardo Bolsonaro, o ex Ministro da educação Abraham Weintraub, bem como o ex Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já terem feito comentários pejorativos em relação à China, o fato é que a Coronavac, vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac, é a vacina utilizada em 82,2% das doses aplicadas no país, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, apurados em 5 de abril deste ano.

A necessidade de obter doses da Coronavac motivou uma mudança, relatada por jornalistas da cobertura política, da postura de Bolsonaro diante do governo chinês. O presidente recorreu ao governo em Pequim para obter novos ingredientes de vacinas. Quando as autoridades chinesas anunciaram novos suprimentos, Bolsonaro lhes agradeceu pela boa cooperação.

Acontece que, diante de tantas falas problemáticas há meses atrás, nada vem de graça. Diversos veículos de comunicação notaram que o ocorrido foi seguido por uma repentina declaração da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sem objeções ao envolvimento do país com a Huawei, empresa chinesa que visa o acesso irrestrito para implementar o 5G no Brasil. Chocante essa permissão em um governo bolsonarista, não é mesmo? Afinal, desde Trump, ídolo de Bolsonaro, ocorrem acusações de que a empresa visa usar a tecnologia com fins de espionagem.

No fim do dia, apesar de fundarem ideologias de ódio, os acordos econômicos superam qualquer coisa. Entretanto, a raiva uma vez disseminada na massa, mesmo que para alimentar objetivos políticos, não para. E mata.

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Queridinhos de papelaria: 10 itens para ter e usar na sua rotina de estudos

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3. Blocos de Notas Adesivas Post-it Tropical – 4 Blocos com 50 folhas cada

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5. Divisória Fichário Papel, Mano 

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6. Caderneta Filibook, Filiperson, 30 Folhas

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7. Marcador de Página de Papel Post-it 

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8. Calendário Semanal Post-it com 2 blocos

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9. Lápis Grafite Redondo, Faber-Castell, EcoLápis SuperSoft Black 

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10. Caneta Hidrográfica Extra Fina, BIC, Intensity, 0.4mm 

Reprodução/Amazon

 

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Última Página | Ainda é hoje

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Ainda é hoje
Thais Menezes/@thamenezes.s

texto por Isabelle Costa (@avalancheliteraria)
ilustrações por Thais Menezes (@thamenezes.s)

 

O vídeo favorito do meu rolo de câmera desse ano é um em que tô dançando na chuva de jeans e sandália lilás.

Era pra ser um meu e dos meus amigos na sala do Henrique — que, palavras dele, tem a casa mais legal do bairro. Rindo de qualquer besteira. Lembrando histórias de beijos ruins, mas sobretudo dos bons, e que deixaram de existir. Esparramados no tapete, que transforma a casa num lar, e dividindo sem medo e por preguiça uma colher de brigadeiro. Criando memórias novas pra sobrepor as desse tempo, que são memórias de dor.

Eu já sabia que ia chover — a gente sempre sabe, porque as nuvens dão o primeiro sinal, e o dia muda de cor —, mas abri o portão e saí. Pensei neles. Nos meus amigos. Cada um no seu canto, onde sempre fiz festa sem a menor cerimônia. Pensei neles e dancei sozinha no meio do asfalto com quatro ou cinco livros na mão sob a desculpa que era pela foto. Pelo blog. Pelos livros. Mas não era, não. Era por mim, que cansei de sentir saudade.

Quinze segundos no meio do nada pra espantar a tristeza que chega, sorrateira, tão sutil quanto um céu de sol se transformando num céu de chuva. Girando ao meu redor: meus porquês não resolvidos, a conclusão de que perde a graça por a roupa mais bonita se ninguém vai ver, e eu, que sempre fui indecisa, mais certa do que nunca sobre o que quero.

Eu quero a praia vermelha. Quero vocês, shows da Anavitória no verão, noite de jogos que gosto mais agora, que são só lembrança-borrão. E gente feliz de verdade de novo.

Eu quero o futuro, mas ainda é hoje.

Ainda é hoje

Thais Menezes/@thamenezes.s


Isabelle Costa 

Fala de livros, escrita, criatividade e inspiração na Avalanche Literária, e desembola os fios soltos em seu blog na internet.

Instagram: instagram.com/avalancheliteraria
Blog: www.avalancheliteraria.com.br

Thais Menezes

Preta, baiana, ilustradora e designer.

Instagram: instagram.com/thamenezes.s
Behance: www.behance.net/thaismenezes

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